O que é o vírus Oropouche? Doença já infectou mais de 5 milhões no Brasil
Estudos indicam que doença se espalhou pelo país e pode causar complicações graves
O vírus Oropouche voltou a chamar atenção no Brasil após o surto registrado em 2023, que resultou em mais de 30 mil casos confirmados e na primeira morte associada à doença no país. Inicialmente restrito à região amazônica, o vírus se espalhou por todos os estados, ampliando o alerta das autoridades de saúde.
Dois estudos publicados nesta semana em revistas científicas internacionais indicam que o impacto do vírus pode ser ainda maior do que o registrado oficialmente. Segundo as estimativas, cerca de 5,5 milhões de pessoas já foram infectadas no Brasil, enquanto o número pode chegar a 9,4 milhões na América Latina e no Caribe.
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O que é o vírus Oropouche e como ele age
O vírus Oropouche é uma arbovirose que provoca sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, dor de cabeça e mal-estar. Em alguns casos, a doença pode evoluir para quadros mais graves. Entre as complicações associadas estão:
- problemas neurológicos, como meningite e meningoencefalite
- complicações hepáticas
- microcefalia em casos de transmissão durante a gestação
- abortos em situações mais severas
Pesquisadores apontam que cerca de um em cada mil casos pode evoluir para formas graves, o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde.
Subnotificação pode esconder número real de casos
Os estudos indicam que muitos casos não são registrados, principalmente por apresentarem sintomas leves ou por dificuldades de acesso ao diagnóstico, especialmente em regiões mais afastadas. Em Manaus (AM), por exemplo, estima-se que cerca de 300 mil pessoas tenham sido infectadas entre 2023 e 2024, número muito superior aos registros oficiais.
A análise de anticorpos na população também mostrou aumento significativo da circulação do vírus. Esse cenário ajuda a explicar a rápida disseminação da doença pelo Brasil e por países vizinhos, muitas vezes de forma silenciosa.
Diferente da dengue, zika e chikungunya, o vírus Oropouche não é transmitido pelo Aedes aegypti. O principal vetor é o maruim, também conhecido como mosquito-pólvora (Culicoides paraensis). Esse inseto se reproduz em ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica, o que favorece a circulação da doença em áreas rurais e regiões de floresta. Por isso, a incidência da doença pode ser até 11 vezes maior fora dos centros urbanos.
O que dizem especialistas e autoridades
Além da expansão geográfica, pesquisadores identificaram o surgimento de uma nova linhagem do vírus, resultado de um processo de recombinação genética. Essa mudança pode aumentar a capacidade de transmissão e dificultar a resposta do organismo. Outro fator de preocupação é a dificuldade de controle. Diferente de outras arboviroses, estratégias como fumacê têm pouca eficácia, já que o mosquito transmissor não se concentra em áreas urbanas.
Diante do avanço da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a necessidade de acelerar o desenvolvimento de medidas de prevenção e controle. Especialistas destacam que o vírus já circula há décadas, mas ganhou força recentemente, exigindo maior atenção das políticas públicas de saúde.
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