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Minha Casa Minha Vida quer chegar a 3 milhões de unidades contratadas em 2026

Investimento público superou R$ 300 bilhões, priorizando famílias de baixa renda e ampliando faixas de financiamento

Eduardo Rocha

O ano de 2025 foi histórico para o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), desenvolvido pelo Governo Federal por meio do Ministério das Cidades, no encaminhamento de novas unidades habitacionais no país. A boa notícia, segundo o ministro Jader Filho, é que a pasta vai intensificar o ritmo ao longo de 2026.

O MCMV foi o grande motor do setor da construção civil em 2025. O programa já contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento público superior a R$ 300 bilhões. Atualmente, a meta é chegar a 3 milhões de moradias contratadas no final de 2026, 50% a mais que a meta original, como repassa o Ministério das Cidades.

Em 2025, esse programa habitacional contou com orçamento recorde de cerca de R$ 180 bilhões. Os recursos ajudaram o Minha Casa, Minha Vida a superar em muito o ritmo de contratações esperado no início do governo e se tornar o programa social preferido pelos brasileiros, com aprovação de 90%, segundo pesquisa Genial/Quaest.

Ações e expansão do programa

“Com o Minha Casa, Minha Vida, estamos enfrentando o desafio do déficit habitacional e trabalhando para que cada vez mais famílias brasileiras possam morar com condições dignas”, disse o ministro das Cidades, Jader Filho. Ele afirmou que “Em 2025, aceleramos o ritmo de entregas, ampliamos o programa e, entre outros avanços, criamos a faixa 4 para as famílias que ganham mais de R$ 8.600 e até R$ 12 mil. Já fora do MCMV, criamos também um novo modelo de crédito imobiliário para a classe média porque não deixamos ninguém para trás”.

No contexto do estímulo do programa ao setor da construção civil, na Cidade de São Paulo, maior do País, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 62% dos lançamentos e 63% das vendas de janeiro a outubro de 2025, de acordo com o Secovi-SP, sindicato de empresas do setor de habitação em São Paulo. O setor de construção civil cresceu 2% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Geração de empregos e investimentos

A geração de empregos com carteira assinada na construção civil foi de 192.176 em 2025 até novembro, com aumento de 6,73% sobre o mesmo período de 2024, segundo dados do Novo Caged divulgados em 30 de dezembro de 2025. No total, a quantidade de trabalhadores com carteira assinada no setor em novembro era de 3.049.483.

Famílias com renda até R$ 4.700,00, das Faixas 1 e 2, foram priorizadas, com contratações e financiamentos de mais de 661 mil unidades habitacionais ao todo, até o início de dezembro de 2025. O programa destinou recursos recordes para reduzir o déficit habitacional, beneficiando grupos vulneráveis.

As contratações resultaram em um investimento superior a R$ 36,2 bilhões por meio do Orçamento Geral da União (OGU), enquanto os financiamentos somaram R$ 57,2 bilhões, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ainda em 2025, foi criada a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, para famílias com renda mensal acima de R$ 8.600 até R$ 12 mil, que estavam sem opção de financiamento. A nova faixa financia imóveis novos ou usados de até R$ 500 mil, com juros de 10% ao ano e prazo de 420 meses. Até o início de dezembro de 2025, haviam sido beneficiadas 25.191 famílias por meio desta novidade, representando um investimento de R$ 6,6 bilhões.

Sustentabilidade e apoio em urgências

A sustentabilidade e a inovação foram algumas das bandeiras destacadas neste terceiro ano de ações do programa. Em 2025, o MCMV integrou sustentabilidade em suas construções e empreendimentos, com materiais de baixa absorção solar, mais árvores e uma redução de 55% da carga térmica nas moradias.

Essas ações se alinham à atuação do Ministério das Cidades na COP30, com práticas para cidades resilientes, e a metas climáticas para o futuro, com aprovação de novas normas ABNT para materiais qualificados no setor da construção civil.

Iniciado no Rio Grande do Sul, por meio do Minha Casa, Minha Vida Reconstrução, o Compra Assistida auxiliou mais de 9 mil famílias gaúchas a reconstruírem suas vidas após as enchentes de 2024. Os contemplados puderam escolher imóveis novos ou usados, de até R$ 200 mil, em qualquer município do estado gaúcho para se mudarem. Essa ação inovadora, criada como resposta de curto prazo, se mostrou eficiente e passou a ser adotada em outras situações de urgência ou vulnerabilidade. No Rio Grande do Sul, foram mais de R$ 1,8 bilhão investidos para garantir que todas as famílias voltassem a ter uma moradia para chamar de sua.

Parcerias e perspectivas para 2026

Na construção de caminhos do setor habitacional, o Ministério das Cidades fortaleceu sua rede de parceiros em 2025. Isso se deu com a criação da Rede Nacional de Inovação para a Habitação Sustentável, em parceria com 17 entidades do setor da construção civil e instituições de pesquisa, durante a COP30.

Ao lado da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), a rede de entidades vai articular laboratórios, empresas e centros técnicos para promover a inovação em todo o ciclo produtivo da construção civil, da fabricação de materiais à execução das obras, além de integrar as Jornadas Setoriais de Baixo Carbono, que orientam a medição e redução das emissões no setor.

Ao longo da COP 30 em Belém, o Ministério das Cidades também aderiu à Coalizão pela Habitação Net-Zero. O movimento busca mobilizar governos, empresas, organizações da sociedade civil, investidores e cidadãos a unirem forças para colocar a habitação no centro da agenda climática.

Para 2026, o orçamento recorde do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para habitação é de R$ 144,5 bilhões. Somado a demais fontes de recursos, será maior ainda. Além disso, o teto do subsídio por família no programa sobe para R$ 65 mil.

Em 2026, também passa a valer o novo conjunto de ajustes nos tetos dos valores dos imóveis financiáveis pelo Minha Casa, Minha Vida. A decisão atualiza os limites de valores dos imóveis nos municípios com população acima de 750 mil habitantes e aqueles entre 300 mil e 750 mil habitantes.

Nas capitais regionais com mais de 750 mil habitantes, o novo teto chega a R$ 260 mil, representando uma elevação de 4% em relação ao valor anterior. Enquanto nas metrópoles de mesma população, o aumento foi de 6%, representando R$ 270 mil. Nas metrópoles e capitais regionais com população entre 300 mil e 750 mil habitantes, o limite passa a ser de R$ 255 mil, um valor 4% maior.

Em dezembro de 2025, o Ministério das Cidades lançou a PPP Morar no Centro, juntamente com a Prefeitura do Recife (PE) e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) do Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). Esse é apenas a primeira de uma série de parcerias público-privadas com foco na locação social, oferecendo moradias acessíveis por aluguel a famílias de baixa renda. No decorrer do ano, também haverá novidades sobre mais PPPs que ocorrerão em outros municípios brasileiros, como Campo Grande (MS) e Santo André (SP).