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Mercado imobiliário enfrenta desafio para converter interesse online em visitas

Alta geração de contatos digitais contrasta com baixa conversão e pressiona mudanças no atendimento

O Liberal

A dificuldade em transformar interesse online em visitas presenciais tem se tornado um dos principais desafios do mercado imobiliário brasileiro. Mesmo com o aumento no número de contatos gerados por anúncios digitais, corretores e imobiliárias ainda enfrentam taxas de conversão consideradas baixas.

O fenômeno reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Mais conectado e imediatista, o comprador de imóveis passou a exigir respostas rápidas e interações mais diretas — o que tem colocado em xeque modelos tradicionais de captação baseados em formulários extensos e retorno posterior por e-mail.

Na rotina das equipes de vendas, o cenário é conhecido: muitos contatos registrados, mas pouca evolução nas negociações. Especialistas apontam que parte desse descompasso está na distância entre o momento em que o cliente demonstra interesse e o início efetivo de uma conversa.

Com a popularização dos smartphones, a jornada de compra se tornou mais dinâmica e fragmentada. Hoje, é comum que um mesmo usuário pesquise diversos imóveis ao mesmo tempo, em diferentes plataformas, priorizando canais que ofereçam respostas quase imediatas. Nesse ambiente, atrasos no atendimento podem significar a perda do cliente.

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A mudança de comportamento também pressiona o mercado a rever suas estratégias. Formulários longos, antes utilizados como filtro de qualificação, passaram a ser vistos como barreiras. Em contrapartida, ferramentas que facilitam o contato direto — como chats e aplicativos de mensagem — vêm ganhando espaço por reduzir a fricção no primeiro atendimento.

Os portais imobiliários, por sua vez, têm ampliado o uso de dados para tentar qualificar melhor os contatos repassados aos anunciantes. A ideia é identificar padrões de navegação e interesse para entregar leads com maior potencial de conversão. Plataformas como o Chaves na Mão estão entre as que adotam esse tipo de recurso.

Outro fator considerado decisivo é o tempo de resposta. Profissionais do setor apontam que os primeiros minutos após o contato são determinantes para manter o interesse do cliente. Em um ambiente competitivo, o corretor que consegue estabelecer rapidamente uma comunicação tende a sair na frente.

Diante desse cenário, cresce a orientação para que o atendimento seja mais personalizado. Em vez de abordagens padronizadas e focadas na venda imediata, a tendência é priorizar o entendimento das necessidades do cliente, em um modelo mais próximo de consultoria.

A expectativa do mercado é de que o uso de tecnologias como inteligência artificial aprofunde essa transformação, auxiliando na triagem de contatos e na priorização de atendimentos. Ainda assim, especialistas avaliam que a capacidade de estabelecer uma conversa relevante continua sendo um diferencial para fechar negócios.

Com isso, o setor sinaliza uma mudança de lógica: mais do que gerar volume de contatos, o desafio passa a ser transformar interesse em diálogo — e diálogo em venda.