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Furto de vírus na Unicamp: veja tudo o que já se sabe sobre o caso

O caso segue sob investigação e a Justiça Federal mantém sigilo sobre o tipo específico do vírus.

Gabrielle Borges

Na última semana, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) registrou um caso de furto de amostras de um vírus de um laboratório de virologia de nível 3 de biossegurança (NB-3), a classificação mais alta do país para manipulação segura de agentes infecciosos.

A suspeita de envolvimento é a professora doutora Soledad Palameta Miller, que foi presa em flagrante na segunda-feira (23), mas teve liberdade provisória concedida pela Justiça na terça-feira (24).

Segundo a Justiça Federal, a pesquisadora vai responder pelos crimes de exposição a perigo de vida ou saúde alheia, transporte irregular de organismo geneticamente modificado (OGM) e fraude processual. Veja o que se sabe sobre o caso.

Investigação e prisão

De acordo com a Polícia Federal, as amostras do vírus desapareceram do laboratório do Instituto de Biologia da Unicamp no dia 13 de fevereiro. Após mais de um mês de investigações, o material foi encontrado no laboratório da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde Soledad atuava.

Na segunda-feira (23), todos os laboratórios da FEA foram interditados para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, mas retornaram às atividades posteriormente. A PF cumpriu dois mandados para localizar o material biológico furtado, que estava dentro da própria universidade.

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Laboratório de alto risco

O laboratório NB-3 onde ocorreu o furto é destinado ao estudo de vírus e bactérias com alto risco para quem manuseia o material e risco moderado para a comunidade.

Agentes de risco 3 podem causar doenças graves ou até letais, por isso exigem protocolos rigorosos de biossegurança, como equipamentos de proteção, fluxo controlado de entrada e descarte adequado de resíduos.

Segundo a investigação, as amostras foram manipuladas e armazenadas em ambientes não controlados, incluindo descarte em lixeiras comuns, configurando risco direto e iminente à saúde pública.

Defesa da professora

A defesa de Soledad Miller afirma que não há comprovação de materialidade na acusação e que a pesquisadora utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria para realizar os experimentos. O caso segue sob investigação e a Justiça Federal mantém sigilo sobre o tipo específico do vírus.

Riscos e repercussão

Especialistas em biossegurança alertam que episódios como esse reforçam a necessidade de protocolos rígidos no manuseio de agentes infecciosos. A movimentação inadequada de material biológico sensível pode colocar em risco a vida de trabalhadores e da comunidade, além de gerar consequências legais graves para os responsáveis.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)