Alertas falsos da Defesa Civil foram disparados de contas do Pará, afirma jornal
Credenciais de agentes da Defesa Civil do Estado teriam sido usadas no suposto ataque hacker
Os falsos alertas enviados a celulares de moradores de diversas cidades do Brasil na madrugada de sábado (20) teriam sido disparados a partir de credenciais de acesso de dois agentes da Defesa Civil do Pará, em um suposto ataque hacker. É o que afirma reportagem divulgada neste domingo, pela Folha de São Paulo, que teve acesso à documentos enviados à Polícia Federal sobre o caso.
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Segundo esses documentos, o governo federal considera que o fato dos alertas terem sido direcionados a diversas regiões do país por agentes com autorização para enviar mensagens apenas a moradores do Pará "agrava a ocorrência". A Defesa Civil é vinculada estruturalmente ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA). O Grupo Liberal procurou o órgão e aguarda um posicionamento sobre o assunto.
As mensagens foram disparadas para ao menos sete unidades da federação foram do tipo Alerta Extremo e continham a palavra "misantropia" (aversão ou rejeição à humanidade) ou variações.
Alertas falsos atingiram capitais e diversas cidades
Mensagens com conteúdos como “misantropia” e “ataque alienígena” foram enviadas para celulares de moradores de seis capitais brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco — além de diversos municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.
Documentos encaminhados pelo governo federal à Polícia Federal (PF) e obtidos pela Folha apontam que a situação é agravada pelo fato de os disparos terem sido realizados para várias regiões do país utilizando credenciais de agentes estaduais autorizados a emitir alertas apenas no Pará.
Suspeita de uso indevido de credenciais
A principal linha de investigação do governo é a de que um hacker tenha utilizado as senhas de dois agentes paraenses para acessar a plataforma e enviar os alertas falsos.
Segundo documento da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, há indícios de que, além do uso irregular das credenciais, o responsável conseguiu operar o sistema sem as limitações territoriais previstas.
“Assim, além do possível uso indevido de credenciais, há indício de que o agente conseguiu operar a plataforma sem a devida restrição territorial, emitindo ou tentando emitir alertas para áreas nas quais os usuários não deveriam possuir permissão de envio”, afirma o documento.
Sistema foi retirado do ar e PF acionada
Na madrugada de sábado, a Defesa Civil Nacional informou que a plataforma de envio de alertas havia sido invadida e, por isso, foi retirada do ar por volta de 1h30. O órgão também comunicou o acionamento da Polícia Federal para apurar o caso.
Ainda no sábado, foi aberta uma investigação preliminar destinada à coleta de informações antes da eventual instauração de um inquérito policial formal.
Neste domingo (21), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional declarou, por meio de nota, que não confirma nenhuma hipótese sobre a dinâmica do incidente cibernético e aguarda a conclusão das investigações técnicas e policiais.
Estados têm acesso suspenso temporariamente
O ministério informou ainda que o sistema de alertas continua funcionando normalmente. Entretanto, enquanto as apurações estiverem em andamento, apenas o Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres) poderá realizar novos disparos.
Com o bloqueio temporário do acesso dos estados à plataforma, eventuais alertas relacionados a fenômenos climáticos extremos deverão ser solicitados pelas Defesas Civis estaduais ao Cenad.
Cronologia dos disparos falsos
De acordo com o documento enviado à Polícia Federal, os dois primeiros alertas foram emitidos pela conta de um mesmo agente estadual. O primeiro deles foi direcionado ao estado do Rio de Janeiro, às 23h41, com a mensagem “misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”.
Quatro minutos depois, às 23h45, moradores de Curitiba receberam um alerta contendo a palavra “misantropia”, termo que expressa aversão, desconfiança ou desprezo pelas pessoas e pela humanidade.
Os oito disparos seguintes ocorreram entre 1h20 e 1h23 e foram realizados por meio da conta de um segundo agente do Pará. A maior parte das mensagens continha a expressão “misantropi4”.
Mensagens foram classificadas como alerta extremo
Ao todo, nove mensagens foram distribuídas pelo canal Defesa Civil Alerta, que utiliza a tecnologia cell broadcast para enviar notificações diretamente aos aparelhos localizados na área de cobertura das antenas de telefonia da região afetada.
A exceção foi Belo Horizonte, onde o alerta falso foi encaminhado pelo sistema de SMS da Defesa Civil com a mensagem: “Defesa Civil: ATAQUEALIENIGENA,HUMANOSCHEGAMOSmisantropo”.
Segundo o governo, todas as notificações foram registradas na plataforma como alertas de “nível extremo”, categoria reservada para situações em que a população deve adotar medidas imediatas de proteção.
O documento encaminhado à PF informa ainda que os alertas foram associados a diferentes tipos de ameaça, incluindo alagamentos, tornados e deslizamentos.
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