Acusado de matar criança de 4 anos pesquisou sobre enforcamento em aplicativo de IA
Investigação aponta que padrasto fez pergunta sobre enforcamento de criança a um aplicativo de inteligência artificial no mesmo dia da morte do menino

Um caso de grande repercussão em Santa Catarina chocou a capital. Moisés Falk da Silva, de 4 anos, morreu no dia 17 de agosto, em Florianópolis, com diversos ferimentos pelo corpo. As investigações apontaram o padrasto e a mãe da criança como responsáveis, e ambos foram indiciados por homicídio qualificado.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a descoberta de uma pesquisa feita pelo padrasto em um aplicativo de inteligência artificial. No dia da morte da criança, ele digitou a pergunta: “O que acontece se ficar enforcando muito uma criança?”.
Como o crime foi descoberto
Na noite de 17 de agosto, o menino — que era autista não verbal — foi levado desacordado ao Multihospital, já em parada cardiorrespiratória. A equipe médica tentou reanimá-lo por cerca de uma hora, mas ele não resistiu. O corpo apresentava hematomas no rosto, abdômen e costas, levantando suspeitas de agressão.
A mãe da criança, Larissa de Araújo Falk, e o padrasto, Richard da Rosa Rodrigues, foram detidos no mesmo dia. A prisão em flagrante do padrasto foi convertida em preventiva, enquanto a mãe foi liberada e deverá cumprir medidas cautelares.
O que revelou a investigação
De acordo com a Polícia Civil, o menino era vítima de maus-tratos constantes praticados pelo padrasto, com pleno conhecimento da mãe. O crime foi classificado como homicídio qualificado por meio cruel e contra vítima menor de 14 anos.
Entre as provas reunidas, estão:
- O laudo de necropsia, que apontou morte por choque hemorrágico devido a traumatismo abdominal causado por instrumento contundente;
- A análise dos celulares da mãe e do padrasto;
- Depoimentos de testemunhas;
- A pesquisa feita pelo padrasto em um aplicativo de inteligência artificial.
Indícios anteriores de violência
O inquérito também revelou episódios anteriores de agressão. No dia 5 de agosto, a mãe questionou o companheiro sobre uma marca no rosto do filho. Ele respondeu que havia mordido a criança, afirmando se tratar de uma "brincadeira".
Em maio, o menino chegou a ser internado no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, com sinais de maus-tratos. Na ocasião, o padrasto enviou fotos e vídeos mostrando a criança com novos hematomas.
Para os investigadores, as mensagens demonstram que a mãe tinha conhecimento das agressões e do medo que o filho sentia do padrasto.
Próximos passos
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que deve decidir sobre a denúncia contra o casal.
*Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Tainá Cavalcante, editora web de oliberal.com
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