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Conheça curiosidades e personagens que contam a história dos bairros de Belém

São muitas e variadas as personalidades que Belém torna possível em seus diferentes espaços urbanos

Fabyo Cruz / O Liberal

Um faz samba e amor até mais tarde, outro é o mais populoso, há o dos artistas, a vila sorriso e aquele em que você encontra tudo o que deseja comprar. Os mais conhecidos bairros de Belém têm peculiaridades associadas à ocupação e ao território em que se encontram. São 71 bairros e oito distritos administrativos. Guamá, Pedreira, Campina, Nazaré e Cidade Velha são exemplos de histórias distintas na mesma cidade. Confira conosco algumas peculiaridades.

Bairro da Cidade Velha 

Berço de Belém”, chamada inicialmente de bairro da Sé, a Cidade Velha teve o Forte do Presépio (ou do Castelo) como primeira edificação, construída em janeiro de 1616, no século XVII, após a chegada do capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco. Em 406 anos, o bairro mantém vivas e pulsantes memórias que inspiram a identidade amazônica urbana. Os casarões que chamam a atenção de visitantes brasileiros e estrangeiros pela beleza arquitetônica revelam a forte influência portuguesa. O Palacete Pinho, na Doutor Assis. é um bom exemplo dessas construções.

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Marcada pela religiosidade, sobretudo a cristã católica, a Cidade Velha concentra as igrejas mais antigas de Belém, como a Catedral Metropolitana de Belém (a Sé), a Igreja de Santo Alexandre, a Igreja Nossa Senhora do Carmo, a Igreja São João Batista, dentre outras.

A Cidade Velha sobrevive, sobretudo, do comércio e do comércio informal. O turismo é relevante e abarca muitos serviços que se valem da importância cultural e histórica da área. Há ainda indústrias, feiras, mercados, administração do poder público, portos e organização referencial do transporte público.

Bar do Rubão

No Bar do Rubão, moradores do bairro e visitantes se confraternizam em torno do caranguejo e da cervejinha gelada. Rubem Lobato, 71 anos, proprietário do estabelecimento, nascido e criado na Cidade Velha, afirma que o bairro traz paz de espírito, sossego e tranquilidade. “Abri meu negócio há 23 anos e mantenho essa tranquilidade da Cidade Velha no meu estabelecimento, pois aqui valorizamos, por exemplo, o diálogo entre as pessoas ao invés da barulheira, o bate papo à luz do luar, talvez esse seja o motivo do sucesso do meu negócio”, acredita o dono do boteco na Gurupá, 312. 

(Divulgação)

Bairro da Campina

A Campina se caracteriza por casarões antigos, vias estreitas e pavimentação em pedras de liós. Com o surgimento do bairro de Nazaré, mais residencial, a Campina desenvolveu uma característica mais comercial, cultural e turística, o "Bairro do Comércio". Campina vem da formação geográfica inicial, a área do igarapé do Piry, que tinha terreno alagado e quase sem árvores. Era até chamado de pântano. Para que a área se tornasse apta à construção, foi necessário aterrá-la até que o solo se firmasse. Essa é uma das explicações para os traçados tortuosos, irregulares e cheios de desníveis do bairro. Outra explicação era a praia da Campina, que havia no território que compreende o bairro.

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Na Campina foi aberta a primeira grande via da capital paraense: a atual avenida Presidente Vargas - anteriormente 15 de Agosto, o primeiro grande corredor da procissão principal do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. A via ganhou esse nome em homenagem ao presidente Getúlio Vargas, na década de 1950. 

Bairro de Nazaré

Nazaré não foi o primeiro bairro de Belém, mas é responsável por muitas das características modernas que orgulham a capital paraense, experimentadas e implantadas pelo intendente Antônio Lemos. O título de Cidade das Mangueiras, por exemplo - ainda que o número dessas árvores venha caindo, deve-se ao túnel dessas árvores plantadas ao longo de avenidas largas, aptas à mobilidade exigida pelo futuro. Nazaré acolheu o primeiro modelo de transporte público – os bondes elétricos - e o primeiro arranha-céu da Amazônia – o edifício Manoel Pinto da Silva. E também a igreja da santa padroeira dos paraenses, que inspirou o nome do bairro: Nossa Senhora de Nazaré.

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Nossa Senhora de Nazaré é responsável pela nominata de vários pontos estratégicos do bairro – como a Avenida Nazaré (antes Estrada de Nazaré), Basílica Santuário de Nazaré, Praça Santuário de Nazaré, Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré. Já houve também o cine Nazaré, ao lado do Cine Ópera. Há um supermercado da rede Nazaré e linhas de ônibus com o mesmo nome. Moradores e comerciantes do bairro se identificam com isso.

Com mais de 20 mil habitantes hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bairro já foi uma estrada cercada de mata, a Estrada de Nazaré, rota entre o Pará e o Maranhão. Isso na passagem do século XVII para XVIII, quando só havia os bairros da Campina e Cidade Velha.

Bairro do Guamá

O Guamá é o mais populoso dos 48 bairros de Belém, com mais de 100 mil habitantes. Um dos principais centros de produção de conhecimento e ciência, a UFPA, fica no bairro. Uma das principais vias do bairro, que também passa pela Terra Firme, a Perimetral, reúne outras instituições científicas: Ufra e CNPQ. O nome original da via é "Perimetral da Ciência".

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O bairro é um reduto da resistência aos preconceitos, à exclusão e ao abandono, e território de uma das escolas de samba mais tradicionais de Belém, o Bole-Bole.

Pinduca, o Rei do Carimbó, mora no Guamá há 50 anos e garante que o bairro é um dos melhores lugares para morar na capital paraense. “Aqui tem tudo. Temos duas grandes feiras, fartas de verduras, legumes, frutas, frutos do mar e outros produtos. Aqui tem várias escolas para as crianças estudarem, uma Universidade, vários comércios, ou seja, as pessoas não precisam ir para longe para encontrar o que precisam. Tenho uma ótima relação com meus vizinhos e todos se tratam muito bem”, diz o cantor.

Há também a forte devoção a Santo Antônio, que dá nome a uma capela e a um abrigo de idosos. O santo era um franciscano, que fez voto de pobreza e humildade. Por isso, a população mais carente do bairro se identifica com ele. Ele também é considerado padroeiro dos amputados, dos doentes, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos idosos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes, marinheiros, cavalos e burros, dos pobres e dos oprimidos.

Bairro da Pedreira 

O título de "bairro do samba e do amor" surgiu após uma homenagem da escritora, jornalista, comunista, poeta e carnavalesca Eneida de Moraes, que via a Pedreira como uma área pulsante de arte, cultura, militância, liberdade e humildade dos moradores.

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O empreendedorismo é uma marca pedreirense. Tanto quanto o samba do Império Pedreirense, uma das agremiações carnavalescas mais tradicionais de Belém. Houve um momento em que o bairro sediou grandes bailes carnavalescos. Pelo espaço nas vias largas é que foi projetada a Aldeia Cabana da Cultura Amazônica David Miguel, em homenagem aos revolucionários da Cabanagem. Era a ideia de dar a Belém um sambódromo.

Um ponto de destaque é o Mercado Municipal da Pedreira. Assim como o bairro do Marco, a Pedreira foi planejada para expansão futura, segundo os planos do intendente Antônio Lemos para transformar Belém numa cidade de padrão urbano europeu, uma "Paris n'América", com vias largas, calçadas e arborização intensa. As principais vias da Pedreira e do Marco mantêm esse desenho.

Belém Pra Ver e Sentir
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