A homilia deste sábado (1º), conduzida pelo padre Cláudio Pighin, trouxe uma reflexão sobre o Evangelho de Mateus (14, 13-21), que narra o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. A passagem foi apresentada como um convite à confiança em Deus, à solidariedade e à superação do egoísmo por meio da partilha.
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Ao comentar o texto bíblico, o sacerdote destacou que a primeira atitude de Jesus diante da multidão foi a compaixão.
Segundo ele, esse sentimento revela a proximidade de Cristo com a realidade humana e demonstra que Deus conhece as necessidades das pessoas.
"Jesus teve compaixão da multidão que o seguia. A compaixão é um sentimento que o ser humano vive no dia a dia. Jesus, experimentando esta dimensão humana, revela-nos que encarnou em nossa realidade", afirmou.
Padre Cláudio explicou que, após acolher a multidão, Jesus confia aos discípulos a missão de alimentá-la. Conforme observou, a reação inicial deles foi considerar que cada pessoa deveria resolver o próprio problema, evidenciando os limites da visão humana diante das dificuldades.
Na reflexão, ele afirmou que Cristo mostra um caminho diferente ao insistir que a pobreza e a fome podem ser enfrentadas quando há responsabilidade compartilhada.
Ainda segundo o sacerdote, mesmo diante da aparente escassez representada pelos cinco pães e dois peixes, Jesus demonstra que Deus age a partir daquilo que as pessoas oferecem.
"O pouco perante Deus é muito para nós. Para Deus, nada é impossível", ressaltou.
O padre também explicou o significado da bênção realizada por Jesus antes da distribuição dos alimentos. De acordo com ele, abençoar representa reconhecer que tudo o que existe é dom de Deus e, por isso, deve ser recebido com gratidão e colocado a serviço do próximo.
Pighin observou que o milagre não se resume à multiplicação dos alimentos, mas também aponta para uma mudança na forma como as pessoas se relacionam entre si e com os bens materiais. Em sua avaliação, o Evangelho convida a abandonar atitudes marcadas pelo individualismo e pelo interesse próprio. "Quem sabe partilhar sabe também multiplicar", afirmou.
Segundo o sacerdote, a decisão de Jesus de orientar que a multidão permanecesse reunida, em vez de procurar alimento nos povoados vizinhos, revela a importância da partilha comunitária.
Para ele, essa atitude representa um chamado para rever relações baseadas apenas no benefício individual. "O milagre passa pelas mãos daqueles que estão com Jesus. É um ícone da Igreja", disse.
O sacerdote afirmou que o episódio narrado por Mateus apresenta Jesus como o Messias que prepara um banquete destinado a toda a humanidade. Ele acrescentou que os discípulos são chamados a colaborar nessa missão por meio de gestos concretos de solidariedade.
"Deus está presente entre nós, porém tens que saber compartilhar até o pouco que tem. Tem essa coragem? Empenha-te a fazer gestos de solidariedade com o teu próximo, com os que mais precisam", afirmou.
