Movimentação no centro comercial apresenta queda, mas feiras dos bairros continuam com alto fluxo

'Nunca vimos algo parecido', afirma trabalhador do centro comercial de Belém

Redação Integrada

O centro comercial de Belém tem estado cada vez menos movimentado depois do anúncio do primeiro caso confirmado de Coronavírus no Pará, em 18 de março. Nos dias subsequentes, o número de pessoas foi diminuindo pouco a pouco, segundo comerciantes que ainda estão trabalhando na área. Na quarta-feira (25), a movimentação era quase inexistente. Das lojas do perímetro, cerca de 20% permaneciam abertas. "Nunca vimos algo parecido", disse um trabalhador, que prefere não se identificar. "Não parece o comércio", afirmou outro.

A baixa na movimentação vem após inúmeras recomendações e determinações da Prefeitura de Belém e Governo do Estado sobre a necessidade temporária de distanciamento social para evitar a propagação da Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, em Belém e interior do Estado. "A gente sabe que é necessário, mas, sem dúvidas, teremos prejuízos", lamentou a proprietária de um dos estabelecimentos.

Ver-o-Peso teve queda na movimentação (Cláudio Pinheiro)

No Complexo do Ver-o-Peso, apenas algumas barracas de venda de frutas, legumes e outros insumos básicos estavam abertas. Os boxes de alimentação, como restaurantes, e as barracas de roupas e acessórios, não estão funcionando. No local, os vendedores reclamaram do prejuízo que estão tendo. "Está difícil para todo mundo. Nossas vendas diminuíram muito", afirmou um dos comerciantes.

Nas feiras dos bairros, como Guamá, Jurunas e Terra Firme, a redução do movimento, entretanto, foi mínima. Vendedora de frutas na Feira do Guamá há sete meses, Cristiani Silva confessa que, para ela, o número de clientes continua igual. "Olha, pelo menos na minha barraca está tudo normal. Eu acho que, como é fruta, muita gente continua comprando para tentar manter a saúde em dia também", especula. Sobre a decisão de continuar funcionando em meio a uma pandemia, ela confessa não ter outra opção.

Feira do Guamá (Cláudio Pinheiro)

"É um risco, né? Eu sei. A gente também está correndo esse risco. A gente sente medo, mas tem que vir trabalhar. Não tem a opção de não vir. A gente precisa colocar dinheiro em casa. Não tem a opção de não vir", explica, ao ponderar que tem tomado todas as medidas de prevenção para diminuir a chance de contaminação. "Estou com máscaras, luvas, isso tudo para me prevenir e prevenir os clientes desses vírus. Muitos já estão vindo com a proteção também, mas outros não, só que a gente tem incentivado, tem falado que eles têm que usar, principalmente os idosos", completa.

O autônomo Oseas Lisboa, de 45 anos, fazia compras na feira na manhã de ontem (25). Também utilizando máscaras, ele admitiu que o mais indicado não era estar no local, "mas eu precisava abastecer as comidas em casa e a minha esposa é do grupo de risco, então prefiro que ela fique resguardada".

Oséas e Cristiani, na feira do Guamá (Cláudio Pinheiro)

Sobre o medo de estar em um ambiente aglomerado, Oseas falou que "infelizmente a população ainda não comprou a ideia da prevenção, muita gente ainda não está tomando as medidas cabíveis, e isso é o mais arriscado". "Não era nem para eu estar aqui se eu fosse cumprir ao pé da letra. Eu só saí pela necessidade de fazer as compras e acredito que se você tiver que vir na feira, tem que cumprir os protocolos de segurança que estão sendo impostos pelo governo. Como minha esposa é renal crônica e tem lúpus, a preocupação dobra, mas eu tive que vir", conclui.

 

 

Belém
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