SEX · 02 OUT 2026Assine

BELÉM

Justiça Federal multa Belém em R$ 361 mil por atraso no acolhimento a pessoas em situação de rua

A ação civil pública foi movida originalmente pelos Correios, mas contou com a atuação ativa da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará, órgão do Ministério Público Federal (MPF) responsável pela defesa dos direitos fundamentais da população

O Liberal

29 de julho de 2026 às 17:38

A Praça do Relógio, em Belém, é espaço de moradia para homens e mulheres diariamente

A Praça do Relógio, em Belém, é espaço de moradia para homens e mulheres diariamente ( Foto: Foto: Ivan Duarte | O Liberal )

A Justiça Federal multou o município de Belém em R$ 361 mil pelo descumprimento de decisões urgentes relacionadas ao acolhimento de pessoas em situação de rua que ocupam as escadarias e marquises do edifício-sede da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), na avenida Presidente Vargas.

A ação civil pública foi movida originalmente pelos Correios, mas contou com a atuação ativa da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará, órgão do Ministério Público Federal (MPF) responsável pela defesa dos direitos fundamentais da população. Durante o processo, o MPF manifestou-se repetidamente para cobrar do poder público municipal uma resposta efetiva e humanizada e impedir remoções forçadas das pessoas em situação de rua.

VEJA MAIS 

MPF recebe doações de roupas para pessoas em situação de rua em Belém A iniciativa pretende mobilizar a sociedade para contribuir com a melhoria das condições de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social

Previsto para 2028, Brasil terá primeiro censo da população em situação de rua realizado pelo IBGE Levantamento do IBGE está previsto para 2028 e deve gerar dados inéditos sobre o perfil socioeconômico dessa população no país

Agressão de guardas municipais expõe despreparo de Belém com população de rua, diz procurador O episódio em questão ocorreu na terça-feira (2/6), dentro do local, no mesmo dia em que coletivos sociais e entidades lançaram o Fórum em Defesa das Pessoas em Situação de Rua

De acordo com vistorias e relatórios técnicos produzidos pelo MPF, as pessoas que utilizavam as escadarias como abrigo improvisado enfrentavam graves problemas de saúde, falta de documentação e ausência de vagas em abrigos públicos.

Segundo o Ministério Público Federal, pela demora na implementação das medidas assistenciais que já haviam sido determinadas pela Justiça, a sentença consolidou duas multas. A primeira, no valor de R$ 122 mil, refere-se à demora na instalação de um abrigo. A segunda multa, de R$ 239 mil, foi aplicada devido à insuficiência do plano de atendimento psicológico e social e do fluxograma de atendimento para essa população. Os valores acumulados devem ser corrigidos legalmente.

A decisão judicial também impôs ao município e à Funpapa a obrigação de realizar diagnósticos pormenorizados mensais para identificar o perfil e as necessidades das pessoas que ocupam a área. Eles devem ainda encaminhar os cidadãos de forma voluntária e individualizada para a rede assistencial, incluindo os Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros POP) e as casas de acolhimento.

O MPF informou que a prefeitura e a fundação têm o prazo de 30 dias para comprovar que o Espaço Acolher – abrigo disponibilizado pela prefeitura à população em situação de rua – dispõe de, no mínimo, 50 leitos físicos em pleno funcionamento, com fornecimento regular de alimentação, água potável, lavanderia, itens de higiene básica e espaço seguro para guardar pertences. No mesmo prazo, deve ser estruturado o plano de atendimento psicológico e social para dependentes químicos.

Para garantir o cumprimento da sentença, foi fixada uma nova multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. Por fim, a Justiça também determinou que o município deverá apresentar relatórios de acompanhamento, a cada quatro meses, pelo período de um ano.

Nota da Prefeitura de Belém na íntegra

"A Prefeitura de Belém , por meio da Assistência Social do Município de Belém- FUNPAPA, desenvolve, de forma contínua, ações integradas de proteção social voltadas à população em situação de rua, por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) e dos Centros POP. As equipes atuam diariamente com abordagem social, escuta qualificada e encaminhamentos para a rede, assegurando suporte para alimentação, higiene, regularização documental, acesso à saúde, fortalecimento de vínculos e orientação para inclusão social e oportunidades de trabalho.

O atendimento segue fluxo institucional estruturado, com acolhida e acompanhamento inicial realizados pelo SEAS e pelos Centros POP e, quando identificado o perfil e a necessidade, é feito o encaminhamento ao serviço de acolhimento institucional, garantindo proteção integral e continuidade do acompanhamento socioassistencial.

Os Centros POP funcionam em unidades localizadas em São Brás e no distrito de Icoaraci, com atendimento diurno e suporte especializado. A Prefeitura mantém também serviços de acolhimento institucional voltados ao atendimento de pessoas adultas em situação de rua, assegurando resposta 24 horas e atendimento conforme a necessidade.

A Prefeitura de Belém informa ainda que tem trabalhado para fortalecer e qualificar essa rede, com medidas de melhoria em andamento e previsão de reestruturação e ampliação da capacidade de atendimento.

Segue também dados que podem contribuir sobre os atendimentos realizados pelas equipes da Funpapa em 2025:
- 502 atendimentos pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS)
- 12.327 atendimentos realizados nos Centros POP
- 96 acolhimentos efetivados nos serviços de acolhimento institucional (SAIF I e SAIF II)*
*Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias".