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Inteligência Artificial transforma produção de vídeos e amplia mercado audiovisual em Belém

Ferramentas são usadas em diferentes etapas da criação de vídeos e passam a integrar demandas de segmentos como política e publicidade

Gabriel Pires

A inteligência artificial já faz parte da rotina de produtoras audiovisuais em Belém e vem transformando a forma de criação de vídeos. A Seven Films Brasil, comandada pelo empreendedor Wilson Paulo Júnior, utiliza ferramentas de IA em diferentes etapas das produções e aposta na tecnologia para ampliar as possibilidades do mercado audiovisual local. Hoje, a produtora atende diversos segmentos e clientes, com demandas que vão de produções políticas a conteúdos promocionais.

Júnior, que já trabalhava com produção audiovisual, conta que a ideia de criar conteúdos com o uso de IA surgiu há cerca de um ano, quando decidiu focar nesse mercado, que considera promissor. A partir de prompts e da edição conforme a demanda de cada cliente, ele afirma que a tecnologia ampliou as possibilidades para quem trabalha com criação. Apesar disso, destaca que o trabalho manual do editor continua sendo indispensável, mesmo com o apoio da inteligência artificial.

A produção começou com o objetivo de divulgar os próprios trabalhos ao mesmo tempo em que estava sendo profissionalizada. “Em meados de setembro do ano passado, foi quando começaram os primeiros vídeos em IA. Aquilo foi disruptivo, a gente nunca tinha visto aquilo na história: tantos vídeos tão realistas, hiper-realistas, ultra-realistas. E eu tive a ideia de começar a criar vídeos para contar as histórias daqui da Amazônia. São histórias regionais, como as lendas do Curupira, do boto e da Matinta Pereira. São histórias que a gente já conhece, só que nunca tivemos a oportunidade de enxergar”, relata.

Para Júnior, a IA trouxe diversas possibilidades. “A gente só tinha essas histórias, por exemplo, no imaginário coletivo. Com a chegada da IA, eu percebi que era uma oportunidade muito grande para a gente trabalhar o visual também, o audiovisual. Foi quando eu comecei a publicar os meus primeiros vídeos. Eu fazia vídeos contando histórias, pegava os personagens para mim e contava histórias da minha criatividade mesmo”, afirma o empreendedor.

Produção combina tecnologia e trabalho manual

A estruturação do negócio ocorreu quando ele se juntou a outros profissionais, entre editores e produtores, para consolidar a Seven Filmes. Hoje, Júnior conta com uma equipe dedicada à criação de vídeos com IA. São eles que fazem todo o briefing com os clientes, além da produção, do roteiro e da edição. A inteligência artificial, como reforça o empreendedor, não substitui o trabalho “braçal” da produtora e cada vídeo tem um tempo de produção específico, a depender da demanda, que vem sendo cada vez mais percebida.

“O mercado é crescente, mas, em Belém, a gente percebe que ainda não há uma demanda muito grande por profissionais que trabalham com IA. Tanto que, para formar esse time que eu tenho hoje, tive que passar muito tempo pesquisando, tentando encontrar alguém que trabalhasse com IA. A partir daí, nosso trabalho começou a ser mais profissional, não apenas uma coisa de internet, mas algo mais organizado”, comenta.

image Wilson Paulo Junior é empreendedor e idealizador da Seven (Foto: Carmem Helena / O Liberal)

Demanda alcança empresas e campanhas políticas

Foi então que as produções começaram a expandir e ganhar demanda. "Então, apareceram clientes particulares, políticos, empresas para fazer comerciais, e a área de atuação desses vídeos não é mais apenas a rede social, são todos os locais, até a televisão. Muita gente percebeu que o vídeo com IA, por ser de baixo custo, consegue ter uma facilidade muito maior de abranger vários nichos de mercado”, relata Júnior.

Júnior pontua que, internamente, a Seven Filmes utiliza um sistema próprio de organização, desenvolvido pela equipe, por meio do qual os profissionais se comunicam e os vídeos são encaminhados aos editores. Júnior é responsável pelo primeiro contato com os clientes e pela triagem das demandas, que posteriormente são repassadas à equipe para edição.

Externamente, o trabalho é organizado a partir de um método que combina diferentes ferramentas de inteligência artificial, utilizadas de acordo com cada etapa da produção audiovisual. Entre elas está o ChatGPT, além de outras plataformas mais robustas, que são integradas para formar um fluxo de trabalho voltado à edição e à produção de vídeos.

Negócio mira expansão para outras áreas

E o objetivo é expandir o negócio, segundo o empreendedor. Júnior explica que o grupo Seven Brasil pretende atuar em três frentes: produção de vídeos e filmes, desenvolvimento de sistemas para empresas e consultoria em inteligência artificial. A proposta é auxiliar negócios a incorporar a tecnologia aos processos internos e ampliar sua eficiência, inclusive em empresas públicas.

“Então, nosso trabalho é de conscientização dessas pessoas para quebrar essa resistência. A gente pensa em alcançar essas empresas, não só públicas, mas privadas também, e ensinar a lidar com o avanço das IAs, a lidar com o novo. Quebrar esse medo, esse paradigma que as pessoas ainda têm até hoje, infelizmente”, frisa Júnior.

Michel Mesquita atua na edição de vídeos e no desenvolvimento de produtos digitais, como aplicativos e sites, além de destacar a inovação proporcionada pela produção audiovisual com inteligência artificial. “A IA, hoje em dia, deu asas para a nossa imaginação. Antigamente, a gente conseguia pensar em uma ideia, mas travava justamente na parte da execução. Hoje em dia, não. A gente cria. Eu, por exemplo, penso em um vídeo, imediatamente escrevo o script, jogo no ChatGPT e depois nas minhas ferramentas de edição. Em pouco tempo, já está pronto, em cerca de 10 ou 20 minutos”, comenta.

IA amplia possibilidades para profissionais

Também integrante da equipe da Seven, o especialista em IA Igor Gammarano atua com inteligência artificial aplicada ao letramento, ministrando cursos e palestras do nível básico ao avançado e capacitando empresas para o uso da tecnologia, com foco no aumento de desempenho.

“Nós utilizamos as inteligências artificiais, produzimos esses conteúdos, avaliamos se esses conteúdos de fato representam a realidade e como eles podem nos ajudar. A partir disso, a gente observa que somos imigrantes nesse processo, em que estamos observando as IAs sendo disponibilizadas, nos empoderando dessas IAs, entendendo-as e fazendo com que as pessoas consigam aplicar essas inteligências artificiais para desenvolverem a si próprias e os seus objetivos acadêmicos, profissionais e de vida”, comenta Igor.

Ele ainda acrescenta: “O objetivo do nosso negócio também é fazer com que as pessoas consigam se empoderar dessas tecnologias para se desenvolverem, e até mesmo as próprias empresas conseguirem alcançar os seus objetivos estratégicos”.

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