'Homem-Peixe' chega a Belém após 360 dias nadando
Ativista colombiano foi recebido por seguidores e curiosos na Pedra do Peixe, no Complexo Ver-o-Peso, após concluir jornada pela Amazônia
O colombiano Wilber Honório Muñoz, conhecido nas redes sociais como “Homem-Peixe” ou “Super H”, chegou a Belém na tarde deste domingo (30), após 360 dias nadando. O ativista foi recebido por seguidores e curiosos que acompanharam a saga e aguardavam a chegada dele à capital paraense, destino final da expedição.
Honório foi recebido na Pedra do Peixe, principal ponto de desembarque e comércio de pescado fresco de Belém, localizada dentro do Complexo Ver-o-Peso. Durante a jornada, o colombiano levou uma mensagem de conscientização sobre a poluição dos rios e buscou chamar atenção para a importância da preservação dos rios da região amazônica.
Antes de chegar à capital paraense, Honório passou por Barcarena, onde desembarcou após a travessia da Baía do Marajó. O município foi o último ponto da jornada antes da chegada ao destino final.
Homem-Peixe chegou a ser dado como desaparecido
Na sexta-feira (28), durante a travessia da Baía do Marajó, Wilber chegou a ser dado como desaparecido depois que a equipe responsável pelo acompanhamento perdeu o contato visual com ele.
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No dia seguinte, sábado (29), o ativista esteve na Praia do Caripi, em Barcarena, onde explicou o que havia acontecido durante o percurso. Segundo Wilber, a equipe acabou se perdendo enquanto ele continuava nadando pela baía.
Diante da perda de contato, integrantes do grupo seguiram até a região de Vila do Conde, em Barcarena, para tentar localizá-lo. O atleta contou que, durante o percurso, foi resgatado por tripulantes de um empurrador que estava na área.
Posteriormente, Wilber foi reencontrado pelos próprios integrantes da equipe, que continuam dando suporte à expedição. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e em veículos de comunicação.
Após o susto, o “Homem-Peixe” retomou a jornada e seguiu em direção a Belém, onde foi recebido neste domingo por pessoas que acompanharam a expedição e aguardavam a chegada do ativista à capital paraense.
Desafios da chegada a Belém
Em entrevista após chegar à capital, Wilber contou que os últimos trechos da jornada foram marcados pelas dificuldades provocadas pela vazante e pela cheia dos canais. Segundo ele, em alguns pontos foi necessário nadar por trechos de 10 a 15 quilômetros e fazer pausas para conseguir avançar.
“Há muitas complexidades nos furos por causa da vazante, que é a fase em que a gente não consegue continuar. Tinha que nadar trechos de 10 a 15 quilômetros para descansar e depois continuar, pois já estava muito em cima do domingo”, explicou.
O colombiano relatou ainda que precisou alternar a travessia entre períodos de vazante e cheia para conseguir avançar em direção a Belém.
“Quando cheguei na cheia do furo, pegava a vazante para chegar aqui, e a vazante bateu muito forte. Aí não deu para chegar. [...] São as coisas de Deus”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades, Wilber conseguiu concluir o percurso e chegar ao destino final da expedição.
‘A galera toda sempre está apoiando o projeto’, diz ativista
Recebido com carinho por pessoas que acompanharam a jornada pelas redes sociais, o “Homem-Peixe” destacou a importância do apoio recebido durante a expedição.
“A galera toda sempre está apoiando o projeto, graças a Deus. As redes sociais fizeram tudo isso. É a galera que acredita em nós, que dá os likes, que se dá conta de todo o esforço que a gente vem fazendo no rio e que está deixando essa mensagem tão importante para nós, para o povo, para todo o povo amazônico”, declarou.
Ao falar sobre o período em que passou pelo Pará, Wilber afirmou que uma das principais marcas deixadas pela viagem foi a forma como foi recebido nas cidades por onde passou.
“Acho que é o carinho da gente, acho que é como a gente recebe, recepciona, como dá carinho, alimentação, hospedagem. Acho que isso foi muito legal, isso me marcou bastante”, disse.
‘Tudo o que aconteceu faz parte das experiências’, afirma
Após 360 dias de jornada, o colombiano também falou sobre os aprendizados adquiridos durante a expedição. Ele afirmou que nadar longas distâncias já faz parte de sua trajetória e que havia preparado uma estratégia específica para percorrer o Rio Amazonas.
“Eu sou acostumado a nadar longas jornadas desde criança e tinha preparado toda uma estratégia para nadar no Rio Amazonas. Então, tudo o que aconteceu faz parte das vivências, das experiências que a gente tem que viver”, afirmou.
Para Wilber, porém, o objetivo principal da aventura nunca foi apenas cumprir o desafio esportivo. Segundo ele, a natação é uma forma de chamar atenção para a necessidade de preservar os rios.
“Eu estou nadando só para chamar atenção: não jogar lixo plástico no rio. Essa é a verdadeira mensagem do projeto”, reforçou.
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