Papa Leão XIV entrega vestimenta litúrgica para arcebispo metropolitano de Belém no Vaticano
Dom Julio Endi Akamine e outros arcebispos metropolitanos receberam a imposição do Pálio na celebração da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo
Nesta segunda-feira (29), o arcebispo metropolitano de Belém, Dom Julio Endi Akamine, recebeu a imposição do Pálio durante a Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, que iniciou às 9h30, no horário local de Roma (4h30 da manhã no horário de Brasília). A vestimenta litúrgica é símbolo de fidelidade à Igreja e ao Santo Padre e foi entregue na celebração pelo Papa Leão XIV, na Praça São Pedro, no Vaticano. Na ocasião, o Pontífice presidiu a Santa Missa e impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitanos nomeados nos últimos doze meses.
A celebração contou com a presença de 35 arcebispos, sendo quatro brasileiros: Dom Júlio Akamine, arcebispo de Belém do Pará; dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba; dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora; e dom Mário Antônio da Silva; arcebispo de Aparecida.
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Um dos principais símbolos da missão pastoral dos arcebispos metropolitanos, o Pálio é uma veste litúrgica, confeccionada em lã branca e colocada sobre os ombros do arcebispo, recordando a imagem do Bom Pastor que carrega a ovelha sobre os ombros. Sua concessão representa também a autoridade pastoral exercida pelo arcebispo em sua província eclesiástica, sempre em unidade com a Igreja de Roma.
Entre as promessas realizadas na celebração, está o compromisso: “Serei sempre fiel e obediente ao Bem-aventurado Apóstolo Pedro, à Santa e Apostólica Igreja de Roma, a ti, Sumo Pontífice, e a teus legítimos sucessores. Assim me ajude Deus Onipotente”. O evento contou ainda com a concelebração do Arcebispo Emérito de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, além de sacerdotes da Arquidiocese de Belém.
História
A entrega do pálio é realizada anualmente no dia 29 de junho, Festa de São Pedro e São Paulo. A Igreja Católica encontra nos dois Apóstolos grandes colunas da fé e modelos de unidade e missão, já que, segundo a tradição católica, Pedro colocou Deus no centro da própria vida e se tornou instrumento de unidade, mesmo marcado pela fragilidade e pelo arrependimento após negar Jesus.
Já Paulo deixou-se transformar pela Palavra de Deus, abandonando a violência para dedicar-se totalmente ao anúncio de Cristo. “Olhando para estes dois santos, podemos compreender como ser apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade”, disse o Papa na celebração, convidando os fiéis a seguirem o caminho da comunhão traçado pelo Senhor.
A palavra pálio deriva do latim pallium, que significa “manto”. Sua origem remonta aos primeiros séculos do Cristianismo, quando era utilizado pelos bispos como sinal de autoridade pastoral. O primeiro registro histórico da concessão formal do pálio data do ano 513, quando o Papa Símaco o entregou a São Cesário de Arles.
Ao longo dos séculos, a veste evoluiu até assumir o formato atual, tornando-se exclusiva dos arcebispos metropolitanos. Hoje, o pálio permanece como um dos mais importantes símbolos da comunhão entre os arcebispos e o sucessor de Pedro. Atualmente, a vestimenta consiste em uma faixa de lã branca com aproximadamente cinco centímetros de largura, adaptada ao formato dos ombros.
Possui duas extremidades pendentes, à frente e às costas, formando um desenho semelhante à letra “Y”. A peça contém seis cruzes negras, que recordam as chagas de Cristo, e três alfinetes ornamentais que remetem à tradição histórica de sua fixação. Para a confecção, utiliza-se a lã originada de dois cordeiros criados pelos monges trapistas da Abadia de Tre Fontane, em Roma.
Os animais são abençoados na festa de Santa Inês, celebrada em 21 de janeiro. Posteriormente, as religiosas do Mosteiro de Santa Cecília, em Trastevere, realizam a tecelagem e a confecção das peças, que permanecem guardadas junto ao túmulo de São Pedro até a cerimônia de entrega.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades
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