MENU

BUSCA

No segundo dia de greve, servidores da assistência social de Belém bloqueiam via e ampliam protestos

Servidores denunciam retirada de direitos, cobram revogação de leis aprovadas em janeiro e preparam ato unificado para esta quarta-feira (21)

O Liberal

O segundo dia da greve dos servidores do Sistema Único de Assistência Social (Suas) de Belém, nesta terça-feira (20), foi marcado por um ato na avenida Almirante Barroso, na capital. Segundo o Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único da Assistência Social da Funpapa (Sintsuas), houve distribuição de panfletos, exibição de faixas e preparação de materiais para o ato unificado previsto para esta quarta-feira (21). A manifestação ocupou a via no final da tarde, denunciando a retirada de direitos, a precarização dos serviços e a falta de diálogo da gestão municipal.

A paralisação dos servidores do Suas tem contado com forte adesão da categoria, como destaca o diretor sindical do Sintsuas, Rayme Sousa. A principal reivindicação é a revogação do novo estatuto e de todas as leis aprovadas no dia 17 de janeiro, além do não fechamento da Fundação Papa João XXIII (Funpapa) e da realização imediata de concurso público.

“A adesão dos servidores está grande, e todos estão sendo mobilizados para amanhã. Há também um indicativo de maior participação no ato unificado, com a soma de forças com a educação”, afirmou.

Segundo os servidores, a greve é uma resposta direta à tentativa de aprovação da Lei nº 10.266/26, considerada pela categoria um ataque aos direitos dos trabalhadores e à estrutura do Suas em Belém. Eles também alertam para o risco de extinção ou esvaziamento da Funpapa.

A Funpapa é o órgão da Prefeitura de Belém responsável pela gestão da política de assistência social no município. A fundação atua com programas, serviços e benefícios voltados a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, incluindo acolhimento de moradores de rua, crianças, migrantes e refugiados, além da gestão do Cadastro Único e de serviços como os Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e os Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).

VEJA MAIS

Servidores da assistência social municipal entram em greve contra projeto que extingue a Funpapa
Sindicato aponta adesão à greve de 90% entre os servidores; novos atos e manifestações estão previstas para essa semana

Servidores da assistência social de Belém entram em greve contra mudanças na carreira
Categoria protesta contra projetos de lei da Prefeitura de Belém que, segundo os servidores, retiram direitos e afetam a progressão salarial

Reinvindicações

Ainda, entre as reivindicações estão a manutenção do plano de carreira dos servidores, a retomada dos contratos com os fornecedores de alimentos, como cestas básicas e apoio alimentar, antes distribuídos às famílias em situação de vulnerabilidade, o retorno dos seguranças às unidades e a ampliação da frota de veículos. 

“Também exigimos o retorno dos seguranças às unidades e a ampliação da frota de veículos. Os CRAS têm mais de 12 mil visitas para garantir o BPC, o Bolsa Família e outros benefícios, mas não há veículos, combustível nem servidores suficientes. Além disso, diversas unidades estão sucateadas e precisam de reforma”, detalha Rayme.

Impasse

De acordo com o sindicato, até o momento não houve avanços nas negociações com a gestão municipal. “Apesar de inúmeros pedidos protocolados, não houve retorno da prefeitura. Não há perspectiva de encerrar a greve diante da situação crítica da assistência social e dos ataques aos servidores”, afirmou.

“Pacote de maldades”

Os servidores da assistência social de Belém iniciaram a greve na segunda-feira (19), com uma manifestação em frente à sede da Funpapa, na avenida Rômulo Maiorana, no bairro do Marco. Após o ato, os grevistas seguiram em marcha e chegaram a interditar vias da capital.

A mobilização é contra o chamado “pacote de maldades”, conjunto de projetos de lei enviados pelo prefeito de Belém, Igor Normando, e aprovados durante a 8ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal, em dezembro de 2023.

Após o ato inicial, os servidores seguiram pela avenida Rômulo Maiorana e encerraram a manifestação em frente à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) e à Secretaria de Estado das Mulheres, na avenida Governador José Malcher. No local, os assistentes sociais se uniram aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e aos Agentes Comunitários de Endemias (ACE), que também estão em greve, e se concentraram na praça do Operário, em São Brás.