MENU

BUSCA

Missa na Catedral Metropolitana marca a Quarta-feira de Cinzas em Belém

Celebrações nesta Quarta-Feira de Cinzas marcam início do período de 40 dias de preparação para a Páscoa

Dilson Pimentel e Hannah Franco

Na Catedral Metropolitana de Belém, a celebração da Quarta-feira de Cinzas reuniu fiéis para o início da Quaresma, período de 40 dias em que a Igreja Católica convida à reflexão, conversão, penitência e jejum como preparação para a Páscoa do Senhor, celebrada neste ano em 5 de abril. A missa começou 9h, tendo como celebrante o monsenhor Agostinho Cruz, vigário-geral da Arquidiocese de Belém.


Durante a celebração, foi realizada a imposição das cinzas, rito que recorda aos cristãos a fragilidade da vida humana. As cinzas são produzidas a partir da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, recolhidos nas paróquias até o domingo que antecede a data litúrgica.

VEJA MAIS

Quarta-feira de Cinzas: veja a programação das missas nas paróquias de Belém
As missas terão o tradicional rito de imposição das Cinzas

Quando começa e quando termina a Quaresma de 2026? Veja as datas
A Quinta-Feira Santa também não é feriado nacional, embora muitos folguem

Desde as primeiras horas da manhã, igrejas da capital paraense registraram presença de fiéis que participaram das celebrações marcando o início do tempo quaresmal. Após o período festivo do Carnaval, a data simboliza uma mudança de espírito para os católicos, que passam a vivenciar um período de maior introspecção e preparação espiritual.

Além da Catedral, as demais paróquias de Belém também realizam missas com o rito da imposição das Cinzas ao longo desta quarta-feira (18), conforme a programação específica de cada igreja. As celebrações são presididas por párocos e vigários locais e dão início oficialmente à caminhada rumo à Semana Santa, culminando na celebração da Páscoa, considerada a principal festa do calendário cristão.

Pensar no próximo

"Não é possível viver a oração e sem pensar no próximo. Aquilo que eu me preservo, aquilo que eu me reservo, eu ofereço como sinal para o outro que precisa de ajuda”. A afirmação foi feita pelo monsenhor Agostinho Cruz, vigário-geral da Arquidiocese de Belém. Além de abrir oficialmente o tempo quaresmal, a Quarta-feira de Cinzas marcou também o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026 (CF). Neste ano, a campanha traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), com o objetivo de despertar a consciência da sociedade sobre o direito à moradia digna.

O rito da missa de imposição das Cinzas relembra os cristãos sobre a origem e o fim da vida humana. Durante a Celebração Eucarística, após a homilia dos bispos ou padres, ocorre a imposição das cinzas na fronte dos fiéis, em formato de cruz, acompanhada de uma das seguintes expressões bíblicas: “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19) ou “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). As cinzas utilizadas nas celebrações são produzidas a partir da queima dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior, entregues pelos fiéis nas paróquias até o domingo que antecede a Quarta-feira de Cinzas.

Monsenhor cita a finitude humana

Em entrevista à imprensa, monsenhor Agostinho Cruz explicou aind aque a Missa de Cinzas é a abertura da caminhada quaresmal, um período de 40 dias que recorda tanto o percurso do povo hebreu, durante 40 anos, da escravidão do Egito à Terra Prometida, quanto os 40 dias que Jesus passou no deserto em oração e jejum antes de iniciar sua vida messiânica, a salvação.

Segundo o monsenhor, a Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e se estende até as vésperas da Quinta-feira Santa. “E é marcado pelo sinal austero das cinzas, que lembra a finitude humana, lembra que és pó e ao pó voltarás. É um processo de conversão gerado pela penitência”, disse. Ao falar sobre como os fiéis devem colocar em prática os valores quaresmais, monsenhor Agostinho destacou que a Quaresma traz três pilares fundamentais: oração, jejum, abstinência e caridade. A oração, segundo ele, é a base desse período. “Na Quaresma, o católico tem que praticar mais a oração. Ter mais tempo de silêncio, de oração, de recolhimento na escuta da palavra de Deus e na própria Eucaristia”, disse.

A abstinência de carne é recomendada pela Igreja na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão. Nos demais dias, os fiéis são convidados à prática do jejum, que consiste em reduzir a alimentação como forma de disciplina espiritual. “É tirar uma outra refeição. O jejum é muito prático: diminuir um pouco os alimentos para que você, podendo controlar o seu apetite, você controla também todas as outras inclinações, seus desejos e suas vontades. É uma dominação do corpo”, explicou.

A caridade completa esse caminho quaresmal. Ainda segundo o monsenhor Agostinho, não é possível viver a oração e se mortificar sem pensar no próximo. “Aquilo que eu me preservo, aquilo que eu me reservo, eu ofereço como sinal para o outro que precisa de mais de ajuda”, afirmou.

População precisa de moradia digna, diz monsenhor

Sobre a Campanha da Fraternidade 2026, monsenhor Agostinho explicou que o tema “Fraternidade e Moradia” chama a atenção para a necessidade de moradia digna. O  lema é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14). “Jesus Cristo veio morar entre nós e também necessitou de uma casa. E a nossa população carece não apenas de moradia, mas de uma moradia digna, com infraestrutura e condições básicas para viver com plenitude”, destacou.

Ele explicou ainda que, embora o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade ocorra nacionalmente na Quarta-feira de Cinzas, na Arquidiocese de Belém o tema será trabalhado de forma mais ampla a partir do próximo domingo, durante as missas dominicais realizadas nos oito santuários espalhados pelas regiões episcopais. A abertura da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Belém será nos dias 21 e 22 de fevereiro com missas nas oitos Regiões Episcopais. As celebrações serão presididas por Dom Julio Endi Akamine, Dom Paulo Andreolli e Dom Alberto Taveira Corrêa.

Fiéis destacam fé e renovação espiritual

Entre os fiéis que participaram da celebração, a cozinheira Carmen Helena Lobato da Silva, que completou 54 anos nesta quarta-feira (18). Em dia de aniversário, ela afirmou que não haveria presente melhor do que estar na igreja. “Pela minha família, pelo meu filho, pelos meus netos e pela minha saúde. Hoje tive a necessidade imensa de estar aqui. Como estou fazendo aniversário, não tem melhor presente que estar na casa do pai”, disse.

Carmen também relatou que busca na fé forças para enfrentar as dificuldades da vida. “Está tão complicado. Estamos numa batalha espiritual muito grande. E, às vezes, acho que a gente está perdendo (essa batalha)”, disse. “E é isso aqui que a gente tem que procurar. É aqui que procuro força. Às vezes, me sinto só no mundo. Mas lembrar que tenho Deus, que tenho fé, que vou ter sempre esperança de que ele vai estar comigo, por isso que estou aqui hoje. Estou feliz. Leve. E isso pra mim é suficiente para sair daqui e começar tudo de novo”, contou, emocionada. 

Outro participante da missa foi o marítimo Aurélio Aragão, de 63 anos, natural de Fortaleza, no Ceará. Para ele, a Quarta-feira de Cinzas representa um momento de renovação espiritual. “Começa a Quaresma, um período de perdão, jejum, reflexão e consagração. A gente tenta melhorar como ser humano, mesmo sabendo que não vai ser santo, mas buscando ser uma pessoa melhor a cada dia. Pedir perdão pelos pecados da gente”, ressaltou. Segundo Aurélio, os 40 dias da Quaresma são um tempo propício para a renovação espiritual e para o fortalecimento da fé.