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Fórum Amazônico discute avanço da obesidade e impacto na saúde hepática da região Norte

O evento contou com a participação do professor norte-americano Arun Sanyal e da pesquisadora Claudia Oliveira para debater diagnóstico e prevenção da MASLD

Bruna Dias Merabet

A obesidade no Pará, caracterizada pelo excesso de gordura corporal, consolidou-se como uma grave preocupação de saúde pública. Conforme os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) de 2023, o estado registra que 37% dos adultos apresentam sobrepeso, com uma prevalência ligeiramente superior entre os homens (38,57%) em relação às mulheres (36,67%). No cenário da Obesidade Grau I, o índice atinge 18% da população geral, sendo que as mulheres representam 19% desse total e os homens 16%.

O excesso de peso também reflete um impacto preocupante nas gerações mais jovens do estado, atingindo mais de 5% das crianças entre 0 e 5 anos e 7% daquelas na faixa de 5 a 10 anos. Entre os adolescentes paraenses, o panorama é ainda mais crítico, com aproximadamente 18% apresentando sobrepeso e 7,34% enfrentando diretamente a obesidade. O alerta foi destaque no Fórum Amazônico de Doença Esteatótica Metabólica (MASLD 2026), no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, que apresenta a Doença Hepática Esteatótica Metabólica (DHEM ou MASLD) tendo como um dos fatores a obesidade. O evento foi realizado no sábado, 28.

“Eu estudo há 25 anos essa doença, que é a gordura no fígado, e que atualmente se chama MASLD. E é a principal doença hepática atualmente; ocorre em 30% da população mundial, e nós, na América Latina, temos 44% da população com essa doença. Essa doença pode dar cirrose, câncer de fígado, e todos os fatores envolvidos têm a ver com a vida contemporânea, que é obesidade, diabetes, dislipidemias, hipertensão arterial. Essa doença seria o centro da doença metabólica, acompanhada de todas essas outras que a gente chama de comorbidades”, explica a pesquisadora paraense Claudia Souza de Oliveira, professora da Universidade de São Paulo (USP).

Além de apresentar as causas da doença do fígado, tratamentos e as possibilidades de prevenção, o Fórum Amazônico de Doença Esteatótica Metabólica (MASLD 2026) traz o poder público para esse debate. “Na verdade, o fórum tem essa importância, primeiro, de trazer o pioneiro nessa doença no mundo, que é o professor Arun Sanyal, que está na Virginia Commonwealth University (VCU) em Richmond, nos Estados Unidos. Ele é quem mais publica sobre esse assunto, então ele está aqui. É importante mostrar para ele a nossa realidade e discutir, então, diagnóstico, tratamento e prevenção. Então, a gente trouxe também o Ministério da Saúde e a Secretaria do Estado do Pará”, pontua a professora.

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De acordo com Claudia Souza de Oliveira, as evidências científicas atuais indicam que a popular "gordura no fígado" pode evoluir para quadros clínicos de extrema gravidade. A especialista explica que, no passado, a condição era subestimada como apenas uma "gordurinha", mas hoje se sabe que ela pode progredir para cirrose e câncer hepático, além de elevar significativamente o risco cardiovascular.

“A região do Pará tem se mostrado com um aumento grande de obesidade; então, ela não tem muitos estudos, e é essa a intenção do fórum: que a gente estimule estudos e publicações na área para que a gente conheça melhor a relação dessa doença com a população do Norte do país. O que a gente tem são estudos globais, eu diria assim, do Brasil inteiro, e essa prevalência é uma prevalência alta. Nos nossos consultórios, a principal doença atualmente é a esteatose hepática, quem tem gordura no fígado. No nosso serviço com o Hospital das Clínicas de São Paulo, está sendo já quase a primeira causa de transplante, o que, vamos dizer assim, corresponde ao que os americanos estão vendo. Então, nos Estados Unidos, a primeira causa de transplante já seria gordura no fígado, passando por cirrose ou por câncer e tendo insuficiência hepática. Então, a gente precisa realmente conhecer a prevalência dessa doença aqui da região Norte”, reflete a pesquisadora.