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Com 400 atendimentos diários, Navio Anna Nery leva assistência hospitalar a comunidades ribeirinhas

Atracada em Belém, a embarcação da Marinha do Brasil integra o 4º Comando do Distrito Naval e deve atender populações do Pará, Amapá e Tocantins

Lívia Ximenes

Focado no atendimento de comunidades ribeirinhas, o Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Anna Nery, da Marinha do Brasil, promove cuidados a cerca de 400 pessoas por dia para comunidades ribeirinhas do Pará, Amapá e Tocantins em 2026. A embarcação, conhecida como Navio da Esperança, é parte do 4º Comando do Distrito Naval e está atracada em Belém do Pará. Nessa quarta-feira (1º), com portas abertas para a imprensa, tripulantes apresentaram o espaço e os principais serviços oferecidos à população.

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A prioridade do atendimento é para moradores de áreas isoladas de três estados do norte brasileiro, como explica Guilherme Barros Moreira, Capitão de Mar e Guerra e Comandante do Grupamento de Patrulha Naval do Norte. “Nada é mais importante do que cuidar da nossa própria gente, com saúde e, também, as condições de conforto. Nós estamos levando o navio de forma que a população consiga acessar diretamente. Isso favorece todo o acesso à saúde às populações ribeirinhas de áreas isoladas”, fala.

O Comandante Barros destaca que os rios são uma das principais vias de transporte na região e, por isso, há mais acessibilidade: “Nós estamos ampliando a nossa capacidade e a nossa área de atuação, levando saúde.” A previsão é que incorporação oficial do navio ocorra no dia 28 de julho e que, até o dia 2 de setembro, a tripulação já esteja navegando nas regiões do Marajó e Xingu, de acordo com ele.

O Capitão de Corveta e Comandante do Navio de Assistência Hospitalar Anna Nery, Diego Rodrigues, detalha uma característica específica da embarcação, que possibilita a ida e navegação em rios mais rasos — o calado, distância vertical entre a linha da água e o ponto mais baixo da quilha. “O navio consegue chegar em regiões de mais difícil acesso. Ele foi projetado dessa maneira para prover assistência médica e odontológica especializada às populações da Amazônia Oriental”, conta.

Parcerias pela saúde

No total, a tripulação é formada por 47 militares e 21 profissionais da saúde, que podem ser da Marinha do Brasil ou civis voluntários de entidades públicas e/ou privadas, em cada operação, segundo o Capitão Rodrigues. “É feito um levantamento a cada operação que vai ser realizada e é feito uma uma triagem pela própria Marinha para indicar, de acordo com a especialidade de cada militar ou civil, aquilo que mais vai atender naquele momento e as demandas das localidades que o navio irá operar”, diz.

O navio conta com consultórios de diversas especialidades – como ginecologia, oftalmologia, pediatria e odontologia –, além de centro cirúrgico para procedimentos de pequena complexidade e sala de estabilização, que possui equipamentos semelhantes aos utilizados em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Em casos de calamidade pública, a embarcação, que tem como pilar a agilidade no atendimento, se torna um ponto de apoio. Para isso, os consultórios são transformados em leitos.

Organização prévia

O planejamento para atender os pacientes ocorre em parceria com órgãos municipais, estaduais e federais, verificando quais são as comunidades que mais necessitam dos serviços da Marinha do Brasil. “Leva-se em consideração a população e estrutura hospitalar, e essa programação é feita um ano antes. Para o ano que vem, nós já estamos fazendo”, afirma o Comandante Barros. Ele destaca que levar os serviços à população é uma grande honra e orgulho.

A estrutura do Navio Anna Nery se assemelha a de um hospital convencional e é equipada com materiais parecidos, com armazenamento de insumos médicos e medicamentos para até 40 dias. Máquinas da raio-x e mamografia, por exemplo, estão à disposição da população que necessita. Diariamente, a equipe realiza até 180 exames – a depender do local onde esteja, pode atender uma comunidade inteira.

O uso da água potável, essencial para assistência de saúde, é planejado com antecedência. O navio tem até 20 dias para utilizar todo o líquido guardado e, se há necessidade, ocorre o reabastecimento em cidades previamente definidas. Da mesma forma, a tripulação sai com um mapeamento de hospitais em terra, caso o paciente atendido precise de mais suporte.