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Pedreiro denuncia alagamentos após transbordamento do Canal do Galo na Pedreira

A água invade residências, favorece o surgimento de doenças, insetos e animais peçonhentos.

O Liberal

O transbordamento do Canal do Galo tem provocado transtornos e prejuízos a moradores do bairro da Pedreira, em Belém. No trecho da travessa Antônio Baena, entre as avenidas Pedro Miranda e Marquês de Herval, o pedreiro João Barroso da Silva, de 60 anos, denuncia que os alagamentos são frequentes e antigos. Segundo ele, a água invade residências, favorece o surgimento de doenças e já teria contribuído até para uma morte na área. Quando chove, a via fica completamente tomada pela água, tornando impossível o tráfego de pedestres e veículos.

João Barroso afirma que a situação vem se agravando ao longo dos anos. Ele relata que, apesar de a água demorar menos tempo para baixar atualmente, o volume das enchentes aumentou devido ao assoreamento do canal e à falta de manutenção adequada.

“Sempre foi nesse mesmo parâmetro de problema para nós aqui. Antigamente, enchia e levava uma semana para secar. Hoje seca mais rápido, mas, em compensação, enche mais. Quando fizeram esse canal, lá atrás, ele era bem fundo e não tinha enchente. Com o passar de uns 30 anos, foi só assoreando, enchendo, e nunca fizeram um serviço adequado. Eles vêm, fazem um paliativo, tiram dois carros de entulho e vão embora”, criticou o morador.

Segundo o pedreiro, a solução definitiva seria uma dragagem completa. “O certo era fazer uma dragagem de verdade, afundar o máximo que puderem e retirar não dois carros, mas várias carradas de aterro. Aí sim, iria minimizar o problema não só aqui, mas em toda a área ao redor que depende desse canal”, afirmou.

Além dos alagamentos, o morador destaca que a situação tem causado impactos diretos na saúde e na segurança da população, com a proliferação de insetos e animais peçonhentos.

“Carapanã aqui é demais, você não consegue ficar dentro de casa à noite. Tem rato, sapo e cobra direto. Quando enche, o pessoal chega a pegar uma ou duas cobras grandes. A menor tem mais de um metro e meio. Toda vez que chove e alaga, eles aparecem”, relatou João Barroso.

Ele também chama a atenção para o risco envolvendo crianças que entram no canal durante as cheias. “Esse canal fica cheio de crianças tomando banho na enchente. É correnteza forte, a água vem de todo canto. É muito perigoso, mas às vezes os pais não conseguem controlar”, disse.

De acordo com João, moradores já enfrentaram diversos problemas de saúde relacionados às condições do local. “Muita gente já adoeceu aqui. Já teve casos de dengue, leptospirose e outras doenças. Teve até gente que morreu afogada no canal, isso há alguns anos, mas aconteceu”, afirmou.

O pedreiro acrescenta que, diante da falta de ações estruturais, a própria comunidade tenta amenizar os problemas. “Essa lixeira fomos nós que fizemos para concentrar o lixo, porque antes ficava espalhado e aumentava o risco de rato e inseto. Se a gente não fizer, ninguém faz”, disse.

Ele ressalta que a área é urbanizada e cobra mais atenção do poder público. “Aqui é uma área bem localizada, todo mundo paga seus impostos, água, luz, tudo em dia. O que falta é um olhar mais humano. Eles fazem um servicinho paliativo, colocam um asfalto e mostram, mas não é isso que a gente quer. A gente quer o básico”, declarou.

Por fim, João reforça que uma dragagem eficiente poderia evitar prejuízos frequentes aos moradores. “Muitas famílias perderam móveis e eletrodomésticos a cada período de chuva. Isso poderia ser reduzido com a desobstrução completa do canal”, finalizou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) informou que mantém o monitoramento constante do Canal do Galo e que equipes de limpeza e drenagem atuam regularmente na área para minimizar os impactos das chuvas. "A Sezel ressalta que já realizou a limpeza de mais de 40 quilômetros de canais na capital e reforça a importância de a população não descartar lixo nas ruas e nos canais, prática que obstrui o sistema de drenagem e potencializa os alagamentos. Paralelamente às ações operacionais, um grupo técnico da secretaria elabora projetos para soluções estruturais definitivas em pontos críticos, visando garantir a segurança e a mobilidade dos moradores", diz o comunicado da Sezel.

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