Moradores denunciam alagamentos históricos e prejuízos após fortes chuvas na Pratinha 2
Ruas que não costumavam inundar foram atingidas; famílias perderam bens e cobram soluções definitivas da Prefeitura
Moradores de ruas e passagens próximas ao Canal do Mata Fome, no bairro da Pratinha 2, em Belém, denunciam que convivem há anos com alagamentos frequentes. O problema, segundo eles, se agravou no último fim de semana, após as fortes chuvas que atingiram a capital paraense no sábado (18) e domingo (19), deixando diversos bairros debaixo d’água.
De acordo com relatos de moradores, áreas que historicamente não registravam inundações também foram afetadas desta vez. O avanço da água provocou prejuízos, com famílias inteiras perdendo móveis e eletrodomésticos, como geladeiras, fogões e televisores.
O auxiliar de serviços gerais Frank Silva, de 31 anos, afirma que a situação é recorrente e critica a atuação do poder público. Segundo ele, as intervenções realizadas até hoje não resolvem o problema de forma definitiva. “Desde que a gente mora aqui, vem acontecendo isso. Muitos anos. A prefeitura vem, mas só faz o ‘H’, limpa o igarapé e pronto. Fica a mesma imundície. A gente faz a nossa parte, mas continua a mesma coisa”, relata. “Nós ficamos nessa situação, todo mundo fica prejudicado, inclusive as nossas crianças. Nós queremos que a prefeitura tome uma providência e olhe para nós”, pediu o morador. “Nós estamos esquecidos”, fala.
A auxiliar de produção Carla Silva, de 35 anos, também teve a casa atingida e contabiliza prejuízos. “A gente acaba perdendo tudo. Já tem mais de vinte anos. E todo ano é sempre a mesma coisa: eles prometem fazer alguma coisa, mas, infelizmente, ninguém faz. A nossa casa foi para o fundo. Perdemos colchão, geladeira, vários eletrodomésticos. O que poderia ser feito a gente fez: salvar alguma coisa. A nossa rua foi totalmente para o fundo. O nosso bairro foi para o fundo”, conta.
Além dos danos materiais, moradores denunciam a falta de saneamento básico na área e alertam para riscos à saúde. Segundo eles, o Canal do Mata Fome acumula lixo e atrai animais, o que aumenta a possibilidade de doenças. “Não temos saneamento. Do igarapé sai de tudo, até rato. Isso traz doença para a gente”, afirma Carla.
Os moradores cobram ações estruturais por parte da Prefeitura de Belém para minimizar os impactos das chuvas e evitar que o problema continue se repetindo ano após ano.
Procurada, a Prefeitura de Belém informou que realizou uma força-tarefa para acabar com um “lixão a céu aberto” que existia na área do Canal do Mata Fome. Na segunda-feira (20), o prefeitor Igor Normando anunciou que, até o final do mês de abril, a prefeitura vai iniciar as obras de macrodrenagem do canal do Mata Fome.
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