Marilyn Manson foi anunciado nesta segunda-feira (28) como uma das primeiras atrações do The Town 2027. O cantor se apresenta no dia 4 de setembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no Palco Skyline, na mesma noite em que o Slipknot será o principal nome da programação.
A apresentação marcará o retorno de Marilyn Manson ao Brasil após mais de dez anos. O músico não se apresenta no país desde antes de 2021, quando vieram a público acusações de abuso sexual, físico e psicológico feitas por diferentes mulheres. A confirmação do cantor como uma das atrações do The Town foi alvo de críticas.
Roberto Medina, presidente da empresa responsável pelo festival, também comentou a escolha de Marilyn Manson em comunicado enviado à imprensa. Segundo ele, a presença do cantor amplia a diversidade da programação dedicada ao rock e ao metal no evento.
“Marilyn Manson traz ainda mais potência rock e metal, em um dia que reúne artistas internacionais gigantes, cada um com uma identidade muito própria e uma história enorme dentro de suas vertentes”, afirmou Medina.
O que Marilyn Manson diz sobre as acusações?
Brian Warner, nome de registro de Marilyn Manson, nega as acusações feitas contra ele e afirma que seus relacionamentos e encontros íntimos foram consensuais.
As denúncias ganharam repercussão internacional em fevereiro de 2021, quando a atriz Evan Rachel Wood, conhecida por protagonizar a série “Westworld”, revelou publicamente ter vivido um relacionamento abusivo com o cantor. Os dois tiveram um relacionamento e chegaram a ficar noivos.
O relato motivou outras mulheres a compartilharem acusações semelhantes contra o músico. As acusações de Evan Rachel Wood voltaram a ser abordadas no documentário “Phoenix Rising”, lançado em 2022. Na produção, a atriz afirmou que teria sido submetida a uma relação sexual sem consentimento durante as gravações do videoclipe de “Heart-Shaped Glasses”, lançado em 2007.
Marilyn Manson negou a acusação. No documentário, a atriz também explicou que decidiu falar publicamente sobre o relacionamento para expor sua experiência e discutir situações de violência e abuso. Em 2022, Marilyn Manson processou Evan Rachel Wood por difamação.
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Outras mulheres também acusaram o cantor
A atriz Esmé Bianco, conhecida por interpretar Ros na série “Game of Thrones”, entrou com uma ação judicial contra o cantor em 2021. Ela alegou ter sofrido estupro e abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento com Manson. O processo terminou em um acordo extrajudicial em 2023, sem que houvesse julgamento.
A modelo Ashley Morgan Smithline também processou o músico, acusando-o de violência sexual. A ação foi encerrada em 2023, depois que Smithline ficou sem representação jurídica. Posteriormente, ela retirou as acusações e afirmou ter sido influenciada por Evan Rachel Wood, versão que a atriz negou.
Outra mulher, cuja identidade foi mantida em sigilo, apresentou uma ação em Nova York na qual acusou Manson de tê-la estuprado quando ela tinha 16 anos, na década de 1990.
Investigação criminal contra Marilyn Manson
Além dos processos civis, Marilyn Manson foi alvo de uma investigação criminal conduzida pela Promotoria do Condado de Los Angeles. O procedimento durou quase quatro anos e envolveu acusações de violência doméstica e agressão sexual. Em janeiro de 2025, o então promotor Nathan Hochman anunciou que não seriam apresentadas acusações criminais contra o cantor.
Segundo a Promotoria, parte das alegações estava fora do prazo legal para responsabilização criminal, enquanto as evidências relacionadas às acusações de agressão sexual não eram suficientes para sustentar uma acusação além de dúvida razoável. Com a decisão, Manson não foi processado criminalmente pelos fatos investigados pela Promotoria de Los Angeles.
Atualmente
Em janeiro de 2026, um tribunal da Califórnia autorizou a retomada de uma ação movida por Ashley Walters, ex-assistente pessoal de Marilyn Manson. Ela acusa o cantor de agressão sexual e outros abusos que teriam ocorrido entre 2010 e 2011, período em que trabalhou para o músico.
O processo havia sido inicialmente barrado por questões relacionadas ao prazo para apresentação da denúncia. A situação mudou após uma alteração na legislação da Califórnia.O julgamento por júri está marcado para 15 de novembro de 2027, um pouco mais de dois meses após a apresentação no The Town.
(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Mirelly Pires, editora web de OLiberal.com)
