Genoma de lagartixa ajuda cientistas a estudar metástase do câncer; saiba mais

A descoberta pode ajudar futuras pesquisas voltadas à compreensão da origem dos tumores

Gabrielle Borges
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Uma variante da lagartixa-leopardo conhecida como “lemon frost” pode se tornar uma importante aliada da ciência na busca por respostas sobre como o câncer se desenvolve e se espalha pelo organismo. Um estudo publicado nesta quarta-feira (15), na revista científica BMC Biology, identificou alterações genéticas relacionadas ao surgimento e à progressão de tumores nesses animais.

A pesquisa chamou a atenção dos cientistas porque a maioria das lagartixas da variedade “lemon frost” apresenta iridoforomas, um tipo de tumor originado em células responsáveis pela pigmentação da pele. Estimativas apontam que mais de 80% dos exemplares dessa linhagem desenvolvem a doença.

Além da alta incidência, os tumores apresentam características semelhantes às observadas em alguns tipos de câncer humano: podem voltar a aparecer mesmo após a remoção cirúrgica e, em determinados casos, conseguem se espalhar para outros órgãos, principalmente o fígado.

Estudo analisou DNA de lagartixas e tumores

Para entender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento dos tumores, os pesquisadores realizaram o sequenciamento completo do genoma de três lagartixas “lemon frost”. O material genético dos tumores foi comparado com amostras de tecidos saudáveis dos mesmos animais.

A análise revelou alterações recorrentes em genes e regiões do DNA associadas ao crescimento celular e à evolução dos tumores. Os cientistas também identificaram mudanças em processos biológicos ligados à movimentação das células, um fator diretamente relacionado à metástase, quando o câncer se espalha para outras partes do corpo.

O sequenciamento foi feito com alta cobertura, uma técnica que permite maior precisão na identificação das alterações genéticas presentes nos organismos analisados.

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Lagartixa pode virar modelo para pesquisas sobre câncer

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a lagartixa-leopardo “lemon frost” pode funcionar como um novo modelo de estudo para compreender a progressão do câncer.

Entre os principais achados da pesquisa estão:

  • Mais de 80% das lagartixas “lemon frost” desenvolvem iridoforomas;
  • Os tumores podem retornar após procedimentos de remoção;
  • A doença pode atingir outros órgãos, especialmente o fígado;
  • Foram encontradas alterações genéticas associadas ao crescimento e à disseminação dos tumores;
  • Mudanças em mecanismos ligados ao deslocamento das células podem explicar a capacidade de metástase.

Os autores do estudo destacam que o avanço do câncer nesses animais parece ocorrer pela combinação de diferentes alterações genéticas e processos biológicos. A descoberta pode ajudar futuras pesquisas voltadas à compreensão da origem dos tumores e ao desenvolvimento de novas estratégias contra a doença.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de OLiberal.com)

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