Genoma de lagartixa ajuda cientistas a estudar metástase do câncer; saiba mais
A descoberta pode ajudar futuras pesquisas voltadas à compreensão da origem dos tumores
Uma variante da lagartixa-leopardo conhecida como “lemon frost” pode se tornar uma importante aliada da ciência na busca por respostas sobre como o câncer se desenvolve e se espalha pelo organismo. Um estudo publicado nesta quarta-feira (15), na revista científica BMC Biology, identificou alterações genéticas relacionadas ao surgimento e à progressão de tumores nesses animais.
A pesquisa chamou a atenção dos cientistas porque a maioria das lagartixas da variedade “lemon frost” apresenta iridoforomas, um tipo de tumor originado em células responsáveis pela pigmentação da pele. Estimativas apontam que mais de 80% dos exemplares dessa linhagem desenvolvem a doença.
Além da alta incidência, os tumores apresentam características semelhantes às observadas em alguns tipos de câncer humano: podem voltar a aparecer mesmo após a remoção cirúrgica e, em determinados casos, conseguem se espalhar para outros órgãos, principalmente o fígado.
Estudo analisou DNA de lagartixas e tumores
Para entender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento dos tumores, os pesquisadores realizaram o sequenciamento completo do genoma de três lagartixas “lemon frost”. O material genético dos tumores foi comparado com amostras de tecidos saudáveis dos mesmos animais.
A análise revelou alterações recorrentes em genes e regiões do DNA associadas ao crescimento celular e à evolução dos tumores. Os cientistas também identificaram mudanças em processos biológicos ligados à movimentação das células, um fator diretamente relacionado à metástase, quando o câncer se espalha para outras partes do corpo.
O sequenciamento foi feito com alta cobertura, uma técnica que permite maior precisão na identificação das alterações genéticas presentes nos organismos analisados.
VEJA MAIS
Lagartixa pode virar modelo para pesquisas sobre câncer
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a lagartixa-leopardo “lemon frost” pode funcionar como um novo modelo de estudo para compreender a progressão do câncer.
Entre os principais achados da pesquisa estão:
- Mais de 80% das lagartixas “lemon frost” desenvolvem iridoforomas;
- Os tumores podem retornar após procedimentos de remoção;
- A doença pode atingir outros órgãos, especialmente o fígado;
- Foram encontradas alterações genéticas associadas ao crescimento e à disseminação dos tumores;
- Mudanças em mecanismos ligados ao deslocamento das células podem explicar a capacidade de metástase.
Os autores do estudo destacam que o avanço do câncer nesses animais parece ocorrer pela combinação de diferentes alterações genéticas e processos biológicos. A descoberta pode ajudar futuras pesquisas voltadas à compreensão da origem dos tumores e ao desenvolvimento de novas estratégias contra a doença.
(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de OLiberal.com)
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA