'Fungo zumbi' raro e inédito é identificado na Mata Atlântica do Rio de Janeiro

O achado ganhou destaque internacional e foi incluído na lista das dez descobertas de novas plantas e fungos mais importantes

Gabrielle Borges
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Pesquisadores identificaram uma nova espécie de "fungo zumbi" durante uma expedição em uma reserva florestal de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. O microrganismo foi batizado de Purpureocillium atlanticum, em referência à sua cor arroxeada (púrpura) e ao bioma da Mata Atlântica, onde foi encontrado.

O achado ganhou destaque internacional e foi incluído na lista das dez descobertas de novas plantas e fungos mais importantes de 2025, elaborada pelo Kew Gardens, o renomado jardim botânico de Londres, no Reino Unido.

Como o fungo foi descoberto?

O micologista brasileiro João Araújo, professor da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, é o autor principal do estudo que descreve a nova espécie Purpureocillium atlanticum.

Em entrevista à BBC News Brasil, o professor detalhou que a descoberta ocorreu durante uma expedição multidisciplinar a uma reserva particular chamada Alto da Figueira, em Nova Friburgo, onde pesquisadores de diferentes áreas catalogavam plantas, fungos e animais.

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Os cientistas identificaram a “ponta” do fungo, conhecida tecnicamente como estroma ou corpo de frutificação, no solo da floresta. Com auxílio de um canivete, Araújo retirou a estrutura inteira, que revelou ter infectado uma aranha de alçapão já morta. Esse corpo de frutificação é responsável por liberar os esporos do fungo e garantir sua propagação.

O cientista brasileiro também destacou que a espécie se assemelha à Purpureocillium atypicola, já descrita em países como Japão, Estados Unidos e Tailândia, mas com características únicas que tornam a descoberta brasileira inédita.

Comportamento peculiar

O Purpureocillium atlanticum tem um comportamento peculiar: infecta aranhas de alçapão, artrópodes que constroem pequenas armadilhas com portas para capturar presas no chão da floresta.

O termo “fungo zumbi” se popularizou recentemente, em parte devido à série de jogos e televisão "The Last of Us", que retrata fungos capazes de controlar organismos vivos.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com).

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