Testemunha diz que mulher que organizou evento de rope jump mandou apagar vídeo
De acordo com a testemunha, que prestava serviços para a organizadora no dia da morte da jovem, imediatamente após a queda, a mulher demonstrou preocupação em recuperar a câmera usada no salto
Uma testemunha ouvida na investigação sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira (SP), após um salto de rope jump sem cordas, afirmou à Polícia Civil que a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, determinou que o vídeo gravado pela câmera fixada no braço da vítima fosse apagado. O equipamento sumiu do local da queda e ainda não foi encontrado.
De acordo com a testemunha, que prestava serviços para a organizadora no dia da morte da jovem, imediatamente após a queda, Evelyne demonstrou preocupação em recuperar a câmera usada no salto.
"Segundo ele, houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento em razão da prioridade no atendimento à vítima", diz trecho do depoimento que consta no relatório final do inquérito.
O rapaz contou também que, ao retornar à parte superior da ponte, a mulher reiterou a preocupação com a câmera, "bem como solicitou que fossem retirados equipamentos do local e encaminhados ao veículo, o que ele afirmou ter cumprido". O relato sobre a câmera foi feito no terceiro depoimento do integrante da equipe - que funcionava como uma empresa, mas não era formalizada.
A investigação não conseguiu identificar quem foi o responsável por retirar uma câmera que estava acoplada ao corpo da vítima. João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva foi preso pela suspeita de ter sumido com a câmera, mas o inquérito mostrou que não foram encontrados indícios suficientes de autoria. Em uma carta, o homem já havia negado a acusação.
Em relação a Evelyne, indiciada pela morte da jovem e por fraude processual, o relatório da polícia apontou que "houve manifesta preocupação da investigada com a recuperação da câmera utilizada pela vítima durante o salto, equipamento potencialmente apto a registrar a integralidade da dinâmica dos fatos". A defesa dela diz que discorda do indiciamento.
"Soma-se a isso o fato de que a própria investigada admitiu ter desativado perfil relacionado à atividade em rede social logo após os acontecimentos, circunstância que, embora isoladamente não configure ilícito penal, associada aos demais elementos colhidos, revela possível propósito de restringir o acesso a registros e informações potencialmente relevantes para a reconstrução dos fatos", afirmou a delegada Andréa Dantas Levy na conclusão do inquérito.
Conforme a investigação, ao menos três testemunhas relataram que um homem retirou a câmera que estava acoplada ao corpo da vítima. Porém, nenhuma conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.
O salto que matou a jovem aconteceu em 13 de junho. A corda que deveria estar presa ao corpo de Maria Eduarda foi esquecida no chão pela equipe organizadora. Vídeos publicados em redes sociais mostram que, assim que a jovem foi arremessada de uma altura de 40 metros, algumas pessoas que aguardavam o salto perceberam a falta do equipamento e se desesperaram. O socorro chegou a ser acionado, mas ela morreu no local.
Além da organizadora do evento, em outro inquérito, concluído em 22 de junho, também foram indiciados por homicídio com dolo eventual quando não há intenção, mas se assume o risco de matar - os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas de cima da Ponte do Esqueleto. Os três estão presos preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado.
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