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PRF mata a namorada e tira a própria vida; vítima era comandante da Guarda Municipal

Feminicídio é principal linha de investigação após policial cometer suicídio na capital capixaba nesta segunda-feira

O Liberal, com informações de Estadão Conteúdo

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros na madrugada desta segunda-feira (23), no bairro Caratoíra, na capital capixaba. Segundo informações preliminares divulgadas pela Polícia Civil em coletiva de imprensa, o autor dos disparos foi seu namorado, o policial rodoviário federal (PRF) Diego Oliveira de Souza, que em seguida tirou a própria vida. A comandante, que era mãe de uma menina de 8 anos, foi encontrada em sua residência.

De acordo com as autoridades, a perícia encontrou sinais de arrombamento na porta que dava acesso ao quarto da vítima. Os vestígios indicam planejamento por parte do agressor para a ação.

Policial estava lotado no Rio de Janeiro

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que Diego Oliveira de Souza era lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A corporação lamentou o ocorrido e se colocou à disposição para colaborar com as investigações.

Em nota, a PRF declarou: "A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres."

Investigação aponta feminicídio

A delegada Raffaella Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, confirmou que os elementos iniciais apontam para feminicídio. "As primeiras informações são de que ele não aceitava o fim do relacionamento", afirmou a delegada.

Familiares da vítima relataram, após o crime, que o suspeito era "ciumento, possessivo e extremamente controlador", segundo a delegada Aguiar. A investigação também revelou que não havia registros formais de denúncia contra o policial. "A comandante nunca tinha relatado para os companheiros dela lá da Guarda Municipal, bem como não tinha um registro junto à Polícia Civil", destacou Raffaella Aguiar.

Premeditação e objetos encontrados

Vestígios encontrados no local do crime reforçam a hipótese de premeditação. O suspeito levou ferramentas para arrombar a porta da casa. "Ele levou ferramentas, levou uma escada, ferramentas para romper, abrir a porta", detalhou a delegada.

A perícia encontrou cinco cápsulas de munição no quarto da vítima. A perita-geral adjunta da Polícia Científica do Espírito Santo, Daniela de Paula, informou que uma bolsa com objetos como alicate, chave de corte, faca e álcool também foi localizada.

Trajetória e desafio para mulheres

A gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Segurança Pública, delegada Michele Meira, classificou a perda de Dayse como irreparável. A comandante Dayse Barbosa participou ativamente de ações e cursos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.

"É desafiador para uma mulher que trabalha com o enfrentamento à violência contra a mulher buscar ajuda", destacou a delegada Meira. Ela complementou que "muitas vezes essas mulheres se sentem envergonhadas, com medo do que a repercussão disso pode gerar para a sua carreira e elas acabam não buscando ajuda".

Prefeitura de Vitória decreta luto

A Prefeitura de Vitória lamentou a morte da comandante Dayse Barbosa e decretou luto oficial de três dias. A administração municipal destacou a trajetória da comandante, marcada por "ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública".

Ainda segundo a Prefeitura, Dayse teve atuação relevante na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero.

Denuncie violência doméstica

É fundamental ressaltar a importância de buscar ajuda em casos de violência doméstica. Ao testemunhar agressões contra mulheres, a orientação é ligar para o número 190 e denunciar. Além disso, é possível fazer denúncias por meio do número 180, que corresponde à Central de Atendimento à Mulher, e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

Outras opções incluem o aplicativo Direitos Humanos Brasil (Android e iOS) e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

A maioria dos casos de violência doméstica é cometida por parceiros ou ex-companheiros das vítimas, mas a Lei Maria da Penha também abrange agressões perpetradas por familiares.

Vítimas de violência doméstica têm até seis meses para realizar a denúncia e buscar proteção.