SUS inclui Vacina Pneumo 20 no calendário; veja quem pode tomar
Nova imunização contra 20 sorotipos do pneumococo será disponibilizada para crianças, idosos e grupos especiais, ampliando a cobertura no país
A vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde iniciou a distribuição das primeiras 514 mil doses, com a previsão de entregar 6,1 milhões até o fim do ano.
Incorporada ao SUS em 3 de junho, a Pneumo 20 substituirá gradualmente a Pneumo 10 no calendário vacinal infantil. A medida visa ampliar a proteção, reduzir hospitalizações, sequelas e mortes associadas a infecções pneumocócicas.
A doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por doenças preveníveis por vacinas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, foram 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes entre 2023 e 2025. Destes, 616 casos e 188 óbitos ocorreram em crianças menores de 5 anos.
O que é a Pneumo 20?
A Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos do Streptococcus pneumoniae, bactéria que pode causar infecções como otite, sinusite, pneumonia, meningite e sepse.
Segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o nome da vacina indica a quantidade de sorotipos. A ampliação da cobertura busca aumentar a proteção contra os tipos mais associados às formas graves da doença.
Qual a diferença entre Pneumo 20 e Pneumo 10?
A principal diferença reside na ampliação da cobertura. Enquanto a Pneumo 10 protegia contra dez sorotipos da bactéria, a Pneumo 20 abrange vinte.
Cunha considera a nova vacina um "avanço importante". Ele destaca que a introdução da Pneumo 10 resultou na substituição de sorotipos não contemplados, especialmente os sorotipos 19A e 3, grandes causadores de doenças graves como meningite.
Quem poderá receber a Pneumo 20 pelo SUS?
A vacina será oferecida para:
- crianças menores de 5 anos;
- indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação com vacina pneumocócica conjugada;
- idosos com 60 anos ou mais, acamados e/ou institucionalizados;
- pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Pacientes com doenças crônicas ou sistema imunológico enfraquecido estão entre os grupos que mais se beneficiarão da maior proteção, afirma Cunha.
Como fica o esquema vacinal na transição?
Enquanto houver estoque da Pneumo 10, o calendário infantil seguirá o seguinte esquema:
- uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses;
- uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses;
- uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses.
O reforço deve ser aplicado com intervalo mínimo de 60 dias após a segunda dose. Até a conclusão da transição, as vacinas pneumocócicas 13-valente (VPC13) e 23-valente (VPP23) continuarão sendo usadas em situações específicas. Depois, o esquema vacinal utilizará exclusivamente a Pneumo 20.
Quem já tomou a Pneumo 10 precisa receber a nova vacina?
Depende da situação individual.
Crianças que iniciaram o esquema vacinal, mas ainda não o concluíram, poderão completar a vacinação com a Pneumo 20 durante o período de transição.
Aqueles que finalizaram todo o esquema com a Pneumo 10 não receberão uma dose adicional pelo SUS, a menos que façam parte dos grupos atendidos pelo CRIE devido a alguma condição clínica especial, conforme explica Cunha.
A vacina é segura? Quais são as reações mais comuns?
Sim, a Pneumo 20 é segura. Antes de sua incorporação ao SUS, ela já era utilizada na rede privada e se baseia em uma tecnologia conhecida na vacinação contra o pneumococo.
Cunha afirma que, "como qualquer vacina, podem ocorrer eventos adversos. Mas, em geral, são leves e locais". Os efeitos mais comuns incluem dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e mal-estar, que podem surgir nos primeiros dois ou três dias após a imunização.
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