Justiça bloqueia quase meio bilhão de facção venezuelana no Brasil
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros de pessoas e empresas investigadas por suspeita de integrar a estrutura financeira da facção Tren de Aragua, em uma operação conduzida pela Polícia Civil de Roraima esta semana em seis Estados. Segundo a Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), trata-se de um dos maiores bloqueios patrimoniais já obtidos pela polícia estadual no combate ao crime organizado.
A medida atinge 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de atuar na movimentação e lavagem de recursos provenientes de atividades atribuídas à facção venezuelana, como tráfico de drogas e armas. Até esta quinta-feira, 18, a operação havia resultado no cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva.
"O bloqueio representa um duro golpe à facção criminosa, principalmente ao seu braço financeiro", afirmou o delegado Hugo Cardias, titular da Draco. Segundo ele, o grupo era responsável por receber recursos oriundos do tráfico de drogas e armas e promover a ocultação dos valores por meio de esquemas de lavagem de dinheiro.
A ofensiva é um desdobramento da Operação Kapok, realizada pela Polícia Civil de Roraima em 2025. As investigações sobre a presença do Tren de Aragua no Brasil apontam que a organização utiliza rotas migratórias e estruturas de apoio espalhadas por diferentes Estados para movimentar recursos e ampliar suas atividades criminosas.
Como o Estadão mostrou, o Tren de Aragua atua em vários países da América do Sul - como Colômbia, Peru e Bolívia - e entrou na mira do governo Donald Trump, dos Estados Unidos, que executou neste mês Hector Flores, vulgo "Niño Guerrero", apontado como chefe da facção.
As investigações apontam que, só no Brasil, o grupo movimentou R$ 6 bilhões nos últimos dois anos. Segundo as autoridades, o grupo venezuelano fornece armamento de guerra, como metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, para organizações criminosas do Brasil, como o Comando Vermelho (CV).
No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira. Essa é a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho no mês passado.
Suspeita de integrar facção é presa em Boa Vista
No mesmo dia em que a Polícia Civil divulgou o bloqueio de R$ 429 milhões ligados a investigados por integrar a estrutura financeira da Tren de Aragua, uma mulher suspeita de atuar para a facção foi presa em Boa Vista. Segundo a polícia, ela foi detida em um imóvel no bairro Santa Tereza, zona Oeste da capital, onde foram apreendidas porções de cocaína, pasta base, skunk, balanças de precisão, dinheiro, munições e um revólver calibre 38.
De acordo com o delegado Julio Cesar da Rocha, as investigações apontam que a suspeita integrava uma célula da organização criminosa venezuelana em Roraima e atuava na logística e distribuição de drogas. A Polícia Civil informou ainda que o marido dela está entre os presos da Operação Rota do Norte, deflagrada nesta semana.
Para os investigadores, a prisão da mulher reforça a hipótese de que a facção mantém estruturas de apoio operacional e financeiro no Estado. As investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo.
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