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Grupo de MC Ryan SP e Poze do Rodo é suspeito de movimentar R$ 1,6 bi do crime

Investigação aponta um esquema de uso de plataformas de apostas de quotas fixas, as chamadas bets, para lavar dinheiro de origem ilícita

Estadão Conteúdo

A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira, 15, a Operação Narco Fluxo para desarticular um grupo suspeito de movimentar R$ 1,6 bilhão do crime organizado. O MC Ryan SP foi preso durante a operação na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, e Poze do Rodo foi detido no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações da Operação Narco Bet, abertas a partir de elementos reunidos na Operação Narco Vela, foi identificado um esquema de uso de plataformas de apostas de quotas fixas, as chamadas bets, para lavar dinheiro de origem ilícita, incluindo recursos ligados ao tráfico internacional de drogas.

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"Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular, pudesse se confundir com os recursos lícitos", afirmou Roberto Costa da Silva, delegado da PF em São Paulo, em entrevista exibida nesta domingo, 19, no programa Fantástico, da TV Globo.

A defesa do MC Ryan negou as acusações. "O Ryan possui contratos que justificam toda e qualquer movimentação financeira em sua vida. O Ryan não precisa ter envolvimento algum com facção criminosa", disse o advogado Felipe Cassimiro ao programa Fantástico.

O advogado do MC Poze do Rodo afirmou que ele não tem nenhuma ligação com atividades criminosas e que as evidências serão levadas ao Poder Judiciário.

A apuração da Polícia Federal aponta a atuação de uma possível organização criminosa dedicada à movimentação de grandes quantias, com uso de dinheiro em espécie, transferências bancárias e operações com criptoativos, especialmente a moeda digital USDT (Tether), tanto no Brasil quanto no exterior.

"As redes sociais são utilizadas para captar seguidores e isso impulsiona o fluxo financeiro nas contas que eles detêm, permitindo que outros recursos de origem ilícita também ingressem e gerem essa confusão", disse o delegado ao programa Fantástico.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram 90 mandados judiciais expedidos pela 5.ª Vara Federal em Santos, em endereços nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão. Dos 39 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, 33 foram cumpridos.

"Pelas contas dos investigados, passaram recursos de origem ilícitas de uma diversa gama de crimes, dentre os quais tráfico de drogas e crimes relacionados ao sistema financeiro, como apostas e jogos ilegais", afirma o delegado da PF Roberto Costa da Silva.

A Justiça também sequestrou bens dos investigados até o valor de R$ 2,26 bilhões. O montante foi estimado com base no suposto lucro obtido com as atividades criminosas investigadas, com destaque para a ligação com o tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, além do volume financeiro identificado em relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).