MENU

BUSCA

Golpistas usam IA para criar mulheres com deficiência e vender conteúdo falso; saiba mais

Perfis passam a divulgar links que prometem acesso a grupos privados com conteúdo adulto e com registros de fraude

Gabrielle Borges

Perfis falsos criados com o uso de inteligência artificial estão sendo utilizados em um novo tipo de golpe nas redes sociais. A estratégia consiste em simular mulheres com deficiência para atrair engajamento emocional e, na sequência, direcionar usuários para links pagos com suposto conteúdo adulto.

Em muitos dos vídeos, as personagens geradas digitalmente aparecem chorando ou relatando sentimentos de solidão. Frases como “será que eu nunca vou me casar só porque eu sou PcD?” se repetem em publicações que seguem um padrão semelhante, indicando uma ação coordenada com foco em lucro. 

De forma discreta, os perfis passam a divulgar links que prometem acesso a grupos privados com conteúdo adulto. Em parte das situações, o material até existe, mas há registros frequentes de fraude, em que o usuário paga e não recebe o acesso prometido.

Objetificação da mulher

As identidades criadas variam: há perfis que simulam mulheres amputadas, cadeirantes, com vitiligo ou nanismo. Em alguns casos, o nível de realismo chama atenção, incluindo até representações de supostas gêmeas siamesas. Todo o conteúdo é produzido artificialmente para aumentar o alcance e a comoção entre os usuários.

VEJA MAIS

O que é deep fake e porque você deveria se preocupar
A tecnologia é capaz de reproduzir o rosto de qualquer pessoa em qualquer vídeo


Jamie Lee Curtis é vítima de deep fake e expõe Zuckerberg
Atriz explicou a razão de ter tornado pública a situação, a fim de buscar uma solução ao constrangimento que passava a partir de uma mensagem com teor falso atribuído a ela


O que é deep nude, quais os seus perigos e como se proteger?
Mulheres são as principais vítimas desse crime virtual que cresce com a dominação da Inteligência Artificial

O Brasil reúne cerca de 8,3 milhões de mulheres com deficiência, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Amparadas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, elas têm assegurado o direito à autonomia sobre o próprio corpo, à vida reprodutiva e à tomada de decisões sem discriminação. O avanço de tecnologias de manipulação de imagem e vídeo tem levantado preocupações sobre a exploração indevida da imagem de pessoas e mulheres com deficiência.

A identificação dos responsáveis por esse tipo de golpe ainda é um dos principais desafios no meio virtual. Em geral, os perfis apresentam poucas informações e são removidos com rapidez pelas plataformas digitais, mas voltam a surgir com novos nomes, fotos e estratégias semelhantes, o que dificulta o rastreamento e a punição dos envolvidos.

Deepnudes e deepfakes são passíveis de punição

O deepfake é uma técnica que utiliza algoritmos para simular rostos, vozes e expressões de pessoas reais ou fictícias em conteúdos digitais. Com isso, é possível produzir vídeos convincentes, muitas vezes difíceis de distinguir da realidade, o que amplia o potencial de uso indevido em golpes e desinformação.

Já o deepnude é uma aplicação mais específica e controversa dessa tecnologia. Ela é usada para gerar imagens falsas de nudez a partir de fotos comuns, sem consentimento da pessoa retratada. Esse tipo de prática é frequentemente associado a crimes digitais e exploração de imagem.

Para quem foi vítima, especialistas orientam agir rapidamente. A primeira medida é tentar o estorno do valor junto à instituição financeira. Também é recomendável registrar reclamação em órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, além de reunir provas do golpe, incluindo conversas, links e comprovantes de pagamento.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)