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Encontro nacional sobre práticas de cuidado psicológico será realizado na UFOPA, em Santarém

XI Encontro Norte/Nordeste de Gestalt-terapia reunirá profissionais e estudantes. Saiba mais e veja como se inscrever!

O Liberal

Em novembro de 2026, Santarém, no Pará, sediará o XI Encontro Norte e Nordeste de Gestalt-terapia (ENONEGT) na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). O evento reunirá profissionais, estudantes e a comunidade para debater um cuidado psicológico que dialogue com territórios, culturas e diversidade. A proposta central é reinventar a clínica em saúde mental, promovendo inclusão.

Apesar do caráter acadêmico, o ENONEGT busca uma mudança de perspectiva. O evento incentiva formas de escuta e cuidado que acolham as pessoas de forma integral. A abordagem considera os contextos em que elas vivem.


A organização do encontro enfatiza a conexão entre saúde mental e a realidade social. Trazer o debate para a Amazônia reconhece o território como elemento ativo. Ele participa tanto na produção do sofrimento quanto nas possibilidades de cuidado.

A Amazônia como ponto de partida

O psicólogo Gabriel Silva destaca como a clínica é estruturada por relações de raça, gênero e classe. Essas relações são atravessadas por processos históricos, como o capitalismo e a colonização. A ideia de um sujeito universal apaga diferenças e produz exclusões. Silva define isso como "uma clínica violenta", informa a assessoria de imprensa do evento.

Realizar o ENONEGT em Santarém, na Amazônia, possui valor simbólico e político. As regiões Norte e Nordeste do Brasil possuem riqueza cultural e humana. Elas raramente ocupam o centro das discussões de saúde mental.

Discutir ciência no interior da Amazônia afirma outros locais de produção de conhecimento. Estes locais são atravessados por ancestralidades e modos de vida. Santarém, assim, representa um movimento de descentralização da Psicologia.

As normas sociais que estruturam a sociedade também influenciam a clínica. Gabriel Silva aponta que essas normas definem quais vidas são consideradas dignas. Isso produz apagamentos e silenciamentos, impactando pessoas em vulnerabilidade. Tal processo dificulta a construção de vínculos sociais e o acesso ao cuidado.

O evento reforça a necessidade de o cuidado em saúde mental considerar território, cultura e condições de vida. A experiência clínica torna-se mais potente. Isso ocorre quando o sujeito se reconhece na linguagem e na forma de acolhimento.

Inclusão que vai além do discurso

Um dos pilares do ENONEGT é o compromisso com ações afirmativas. Elas visam ampliar o acesso e a participação de grupos historicamente excluídos. Incluem pessoas negras, indígenas, periféricas e LGBTQIAPN+.


A organização do evento defende que a inclusão deve ir além do discurso. O ENONEGT aposta em estratégias práticas, como aulas pré-evento. Elas funcionam como financiamento coletivo. O objetivo é garantir inscrição e permanência digna aos participantes.

Esta preocupação está alinhada à crítica de Gabriel Silva. Práticas de cuidado podem reforçar exclusões. Isso ocorre quando não reconhecem atravessamentos sociais. Ele afirma que "reproduzimos a exclusão do mundo sem mesmo percebermos".

A Reinvenção das Clínicas

Entre as aulas pré-evento, destaca-se um minicurso de Gabriel Silva, psicólogo de Florianópolis. O tema é “Vulnerabilidade no campo – as clínicas: os efeitos da normatividade como formas de apagamento, sofrimento e exclusão e reinvenção das clínicas”. Será online em 25 de abril e as inscrições estão abertas.

A atividade aborda o paradoxo de que espaços de cuidado também podem ferir. Pessoas que não se encaixam em padrões rígidos de comportamento ou identidade podem sentir-se julgadas. Elas podem ser invisibilizadas onde buscavam acolhimento.

Gabriel Silva afirma que o cuidado pode reforçar exclusões ao normatizar diferenças. A proposta de "reinvenção das clínicas" convida a construir práticas. Elas devem ser mais abertas à diversidade das experiências humanas.


A organização vê a reinvenção da clínica como superar uma prática isolada. Significa construir uma Psicologia implicada nos contextos. Uma clínica coletiva, territorial e politicamente comprometida.

O território possui um papel central. Ele é um elemento ativo na constituição dos sujeitos, não apenas um pano de fundo. Ignorar isso gera um cuidado que não alcança. Práticas construídas com o território e saberes locais são essenciais. Gabriel Silva reforça que a clínica se reinventa ao incorporar os atravessamentos locais.

Sobre o ENONEGT

O Encontro Norte e Nordeste de Gestalt-terapia é um evento itinerante. Ele reúne profissionais e pesquisadores das regiões Norte e Nordeste. O objetivo é promover a troca de conhecimento clínico e científico. O evento busca ser descentralizado e plural.

A proposta vai além de um evento pontual. Ela busca provocar mudanças duradouras na formação profissional. A organização espera que participantes ampliem suas referências. Eles devem se implicar eticamente e politicamente com os contextos. O intuito é fortalecer práticas acessíveis e conectadas aos territórios.

Gabriel Silva argumenta que a transformação da clínica depende de mudanças amplas. Não se trata apenas de rever práticas. É preciso repensar as estruturas que organizam o mundo. Ele sintetiza: "é preciso reinventar não a clínica, mas o mundo", finaliza em entrevista à assessoria de imprensa do evento.

Serviço

  • XI Encontro Norte e Nordeste de Gestalt-terapia
  • Datas: 19, 20 e 21 de novembro de 2026
  • Local: Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em Santarém/PA
  • Instagram: @enonegt26