Empresário Sérgio Nahas é preso na Bahia 23 anos após assassinar a esposa
O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, condenado por assassinar sua mulher, Fernanda Orfali, então com 28 anos, em maio de 2002, foi preso no sábado, 17, em um condomínio de luxo na Bahia. Ao Estadão, a defesa disse que ele é idoso, está com problemas de saúde e não tinha interesse de ficar foragido.
O crime ocorreu no apartamento onde o casal morava, em Higienópolis, na região central de São Paulo há quase 24 anos. Fernanda foi atingida por um disparo no peito após ela pedir separação. Segundo a investigação, ela havia confrontado o marido pelo uso abusivo de cocaína e um relacionamento amoroso que ele mantinha com uma travesti.
Nahas é de uma família de alto poder aquisitivo e de descendentes de sírios-libaneses. Havia o receio de que ele estivesse foragido no exterior.
Durante o processo, todas as provas periciais apontaram para autoria de Nahas, e o Ministério Público defendeu a condenação por homicídio qualificado. A defesa, entretanto, sustentou a tese de que Fernanda sofria de depressão severa e cometeu suicídio. A família Orfali sempre rechaçou esta versão e afirma que Fernanda jamais passou por tratamento psiquiátrico.
Após uma série de recursos, o julgamento de Nahas só ocorreu 16 anos após o assassinato de Fernanda. Ele foi condenado em júri popular por homicídio simples, sem qualificadoras, e sentenciado em primeira instância à pena de sete anos de prisão em regime semiaberto.
O Ministério Público recorreu e a pena foi elevada para 8 anos e 2 meses de prisão. No ano em que o crime ocorreu, não havia a Lei do Feminicídio (2015), nem mesmo a Lei Maria da Penha (2006).
Nahas permaneceu em liberdade enquanto recorria da condenação às instâncias superiores. Quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, a Corte confirmou a pena do empresário e determinou o cumprimento imediato, inicialmente em regime fechado. A defesa ainda apresentou novos embargos até a condenação transitar em julgado.
Em junho de 2025, o juiz da 1ª Vara do Júri na capital, Roberto Zanichelli Cintra, expediu o mandado de prisão em desfavor do empresário e determinou a inclusão dele na Difusão Vermelha da Interpol, medida que permite que autoridades de outros países possam prendê-lo caso ele tivesse deixado o Brasil.
No sábado passado, 17, Nahas circulava livremente pelas ruas de Praia do Forte, onde em 2002 passou a lua-de-mel com Fernanda seis meses antes de assassiná-la. Foi, então, reconhecido pelas câmeras de videomonitoramento e reconhecimento facial. Os policiais confirmaram a identidade do homem com mandado de prisão em aberto e localizaram o empresário no condomínio Kawai, na Praia dos Artistas, no centro de Praia do Forte.
Ao ser abordado, não ofereceu resistência. Com Nahas, a polícia encontrou 17 pinos de cocaína, três aparelhos celulares, um carro modelo Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.
A advogada do empresário, Adriana Machado Abreu, afirmou que Sérgio Nahas mora na Bahia desde o ano passado. Segundo ela, ele é uma "pessoa íntegra, idosa, com questões graves de saúde e que não tinha interesse em ficar foragido."
Por não ter feito contato com o cliente desde sua prisão, a advogada preferiu não comentar sobre os pinos de cocaína que, segundo a polícia, estavam com ele.
Para o advogado da família Orfali, Davi Gebara, o alto poder aquisitivo de Nahas permitiu que a tramitação do processo se alongasse na Justiça, por meio da interposição de recursos. "Observamos um padrão de atraso processual, com apresentação sucessiva de recursos e embargos", afirmou.
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