Dengue, zika, herpes: ao menos 24 tipos de vírus foram transportados em furto na Unicamp
Segundo reportagem, 13 tipos de vírus que infectam animais também foram furtados
Ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram furtadas de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O material biológico, que inclui amostras de dengue, zika e coronavírus humano, foi transportado entre unidades e, em parte, descartado em lixeiras, segundo informações divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (29).
A professora e pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, atuante na Unicamp, foi presa pela Polícia Federal na segunda-feira, 23 de março. Ela é suspeita de furtar o material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da universidade.
A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora um dia após a prisão, impondo medidas cautelares. Soledad está proibida de acessar laboratórios relacionados à investigação e de deixar o País sem autorização judicial, conforme apurou o Estadão.
Detalhes da Investigação e Envolvimento
A pesquisadora é investigada por produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) ou seus derivados sem autorização ou em desacordo com as normas da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
A defesa de Soledad informou ao Estadão que não se pronunciaria publicamente devido ao sigilo decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas. A Polícia Federal também investiga o marido de Soledad, Michael Edward Miller, por possível envolvimento no furto do material biológico.
O Sumiço das Amostras
O desaparecimento das caixas com amostras virais foi constatado na manhã do dia 13 de fevereiro, conforme termo de audiência da Justiça Federal obtido pelo Estadão. As amostras estavam armazenadas em uma área classificada como NB-3, de alta contenção biológica e rigorosos protocolos de biossegurança.
O documento indicou uma janela temporal curta e concentrada para o possível furto. A Unicamp prontamente acionou a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a constatação da falta do material.
A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Campinas. O material subtraído foi localizado em "laboratórios diversos" e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise, segundo a PF.
O documento da Justiça Federal aponta que parte do material foi encontrado em freezers e outra parte "parcialmente descartados em lixeiras, inclusive após manipulação".
As investigações apontam que Soledad acessou "diferentes laboratórios, inclusive com auxílio de terceiros", movimentando os materiais. A pesquisadora teria manipulado amostras biológicas (OGM ou derivados) em ambiente diverso do autorizado, com armazenamento irregular.
A manipulação, armazenamento e descarte indevido de material biológico sensível em ambientes não controlados e lixeiras configura exposição da saúde de terceiros a perigo direto e iminente, devido ao risco do manuseio fora de protocolos de biossegurança.
Ações Legais e da Unicamp
A Polícia Federal informou que os investigados responderão, conforme suas responsabilidades, pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias e motivações do caso.
Em nota oficial, a reitoria da Unicamp afirmou que colabora com as investigações da Polícia Federal. A universidade também instaurou sindicância interna para apurar o ocorrido, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e preservando os detalhes para não comprometer o andamento das apurações.
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