Cenipa aponta 'incidente grave' em caso de proximidade entre aviões da Gol e da Azul
Um relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), classificou a aproximação de dois aviões no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 30 de abril, como um incidente grave. As aeronaves chegaram a ficar a apenas 22 metros de distância.
De acordo com o documento, houve uma "perda de separação regulamentar", quando os espaços mínimos de distância entre as aeronaves são violados. Na ocasião, um avião da Gol que ia de Salvador para São Paulo se preparava para pousar, enquanto outro, da Azul, que ia da capital paulista para Belo Horizonte, estava na decolagem.
O relatório do Cenipa aponta que a autorização de decolagem dessa aeronave foi cancelada pelo órgão de controle de tráfego aéreo, que também solicitou uma manobra evasiva para a que estava prestes a pousar. Esta última arremeteu e a separação foi restabelecida.
Conforme o Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea), na maioria dos casos, a separação vertical mínima entre aeronaves em voo é de 1.000 pés (300 metros), mas pode haver variação conforme as dimensões das aeronaves.
Nenhum dos dois aviões sofreu danos e ninguém que estava a bordo das aeronaves ficou ferido. A investigação prossegue e o Cenipa ainda divulgará um relatório final futuramente. Um prazo não foi informado.
O Estadão procurou a Gol e a Azul para comentar o relatório preliminar e aguarda retorno.
Em nota enviada à reportagem no dia do incidente, a Gol informou que o pouso "ocorreu em segurança, dentro do horário programado", e que a companhia colabora integralmente com o Cenipa na apuração do fato. A empresa ainda reforçou que "as ações em relação ao voo foram tomadas com foco na Segurança, valor número 1 da Gol".
Também à época, a Azul informou que o voo em questão, AD6408 (Congonhas-Confins), "seguiu os procedimentos operacionais previstos para a decolagem do aeroporto paulistano". A companhia aérea destacou que "a segurança é seu valor primordial, e que as suas operações são conduzidas de acordo com protocolos e regulamentações vigentes". Também afirmou estar à disposição para colaborar com o Cenipa.
Relembre o caso
O avião da Azul foi autorizado a alinhar e decolar enquanto a aeronave da Gol fazia aproximação e aguardava autorização de pouso. Como a primeira aeronave demorou a decolar, o controlador de tráfego abortou a partida e pediu para que o avião da Gol arremetesse.
Mesmo com o pedido, a aeronave da Azul seguiu para a decolagem, enquanto o avião da Gol iniciou a arremetida. A torre de controle pediu então para que o avião da Gol fizesse uma curva à direta e se mantivesse 5.500 pés - e foi então alertada pelos pilotos que houve um disparo do Sistema de Alerta de Tráfego e Prevenção de Colisão (TCAS, na sigla em inglês). A comunicação foi transmitida pelo canal do Youtube Golf Oscar Romeu.
"Infelizmente a aeronave demorou a decolar e saiu da escuta antes de ter decolado, então tive que iniciar a aproximação e mandar a manobra para chamar o controle", informou o controlador.
O especialista em aviação Lito Sousa, que mantém o canal Aviões e Músicas no YouTube, comentou o caso no X, informando que, apesar de alguns sites alertarem para uma quase colisão, o controlador de voo manteve consciência situacional.
"A primeira camada de segurança furou, com a falha de comunicação com o Azul. A segunda camada funcionou com a consciência do controlador. E a terceira camada também funcionou com o alerta do TCAS a bordo das aeronaves. Apesar de ter dado tudo certo, eventos assim são investigados para entender o porquê da perda de separação", informou Lito.
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