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Carta de teor espiritual levou rede de lojas à maior multa por corrupção da história; entenda o caso

O documento, com três páginas, foi encontrado durante a Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo

Gabrielle Borges

Uma carta escrita à mão, com caneta vermelha e direcionada a uma entidade espiritual, tornou-se uma das principais provas de uma investigação que revelou um suposto esquema bilionário de corrupção envolvendo grandes empresas do varejo e agentes públicos em São Paulo.

O documento, com três páginas, foi encontrado durante a Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), e acabou sendo considerado peça central para o avanço das investigações.

O caso resultou na aplicação de uma multa de R$ 1,04 bilhão à rede de varejo Fast Shop; a maior penalidade já aplicada no Brasil com base na Lei Anticorrupção. De acordo com as autoridades, a empresa terá prazo de 30 dias para efetuar o pagamento integral da multa, sem possibilidade de parcelamento.

Carta foi encontrada com auditor fiscal investigado

Segundo o Ministério Público, a carta estava em posse do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como um dos investigados no esquema. O texto teria sido escrito em 3 de março de 2025 e continha pedidos de orientação espiritual relacionados à assinatura de liberações de créditos de ICMS para empresas.

Para os investigadores, o conteúdo do documento indicaria preocupação do auditor com possíveis consequências das liberações fiscais realizadas, além de sugerir a existência de pagamentos irregulares ligados às autorizações tributárias.

A carta passou a ser tratada pela investigação como um indício relevante de um suposto esquema de propina envolvendo benefícios fiscais concedidos a empresas do setor varejista.

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Investigação apura corrupção e lavagem de dinheiro

A Operação Ícaro investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes tributárias. Conforme o Ministério Público, empresas teriam obtido vantagens fiscais irregulares mediante pagamento de propinas a servidores públicos. As apurações apontam que o esquema movimentou valores milionários por meio de operações financeiras consideradas suspeitas pelas autoridades.

O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação da multa bilionária aplicada à Fast Shop, considerada a maior já registrada no país em processos relacionados à Lei Anticorrupção. Até o momento, a empresa ainda pode recorrer da decisão na esfera administrativa e judicial.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)