MENU

BUSCA

Após avanço na COP de Belém, países voltam a discutir transição dos combustíveis fósseis

A elaboração de mapas do caminho para a transição energética ganhou impulso no ano passado, na COP de Belém

Estadão Conteúdo

A conferência do clima iniciada nesta segunda-feira (8) em Bonn, Alemanha, gera expectativa sobre o encaminhamento dos roteiros de transição dos países para longe dos combustíveis fósseis. O tema é de primeira ordem para a contenção da mudança climática e é considerado o "elefante na sala" das discussões.

A elaboração de mapas do caminho para a transição energética ganhou impulso na COP de Belém, no ano passado. Isso levou à criação de um fórum separado, cuja primeira edição ocorreu em Santa Marta, Colômbia, no fim de abril, com mais de 50 países participantes.

A questão dos mapas do caminho está fora da agenda formal de Bonn e da COP-31 deste ano. No entanto, especialistas avaliam que a conferência na Alemanha servirá como um teste para as ambições apresentadas em Santa Marta, incluindo a eliminação de subsídios a combustíveis fósseis.

Brasil e a transição energética para a COP-30

A presidência brasileira da COP-30, que vai até dezembro de 2026, comprometeu-se a entregar até novembro um roteiro para implementar essa transição. O documento deve integrar as contribuições dos países em Santa Marta.

Segundo Flávia Bellaguarda, assessora extraordinária para a COP-30 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Brasil organizará eventos paralelos em Bonn. O objetivo é apresentar os contornos do documento, com base em submissões de 120 países.

A meta é criar diretrizes que inspirem e encorajem os países a desenvolver seus próprios mapas do caminho, tanto nacionais quanto regionais. Flávia Bellaguarda explica que o mapa da presidência brasileira não é baseado em consenso obrigatório, focando na apresentação do documento.

“O objetivo é apresentar o documento, como está se formando e quais são os temas prioritários, levando em consideração esse processo de escuta”, disse a assessora do MMA. Ela espera que, com a força do debate, os mapas do caminho passem a ser reconhecidos dentro das NDCs (metas climáticas dos países).

As sessões subsidiárias de Bonn não geram decisões finais. Elas são uma etapa preparatória de negociação, com o objetivo de avançar em aspectos técnicos e políticos. Isso visa viabilizar as decisões na COP-31, que será realizada em novembro na Antália, Turquia.

Especialistas cobram implementação e avanços em Bonn

Juan Carlos Monterrey, representante especial para a Mudança do Clima do Panamá, acredita que Santa Marta inaugurou uma nova fase no debate climático. O Panamá, vulnerável à crise climática, tem Monterrey como defensor da implementação de ações.

“Os burocratas ambientais dos governos estão se afogando em papelada que não leva a nada, em vez de se concentrarem na implementação de ações em campo e no aumento da resiliência das nossas comunidades”, afirmou Monterrey em um briefing para a imprensa em 2 de maio.

O que será discutido em Bonn?

A reunião de Bonn possui uma agenda preliminar, que será discutida no primeiro dia do evento. Cada tópico a ser negociado precisa ser aprovado por consenso de todos os participantes antes de ser definido oficialmente para debate.

Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, aponta tarefas fundamentais para Bonn. Ele cita dar contorno ao mecanismo de transição justa de Belém, avançar na adaptação e no novo programa sobre financiamento.

Angelo ressalta que o mais importante é como a conferência lidará com o "elefante na sala": a transição para longe dos combustíveis fósseis.

“A onda política iniciada em Belém, que ganhou impulso em abril em Santa Marta, não pode arrefecer. Tanto a coalizão de Santa Marta quanto a presidência da COP-30 precisam usar o encontro em Bonn para fazer avançar esse debate”, afirmou.