Advogado afirma ter sido xingado por pai de acusado de estupro coletivo
O advogado diz que, em tese, houve infração ao artigo 344 do Código Penal, que trata de violência contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial.
*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O advogado Rodrigo Mondego, que representa a adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana, denunciou em redes sociais ter sido vítima de agressões verbais por parte de José Carlos Simonin, ex-sub-secretário estadual de governança do Rio de Janeiro. Simonin é pai de um dos acusados de estupro, que está preso.
"Vai trabalhar pra pagar as suas contas, vagabundo", teria escrito José Carlos em mensagem endereçada a Mondego. O advogado avalia entrar com representação contra o ex-subsecretário.
José Carlos é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos acusados do estupro coletivo. O Estadão tenta falar com o ex-subsecretário ou com sua defesa. A reportagem entrou em contato com o advogado de Vitor Hugo e aguarda retorno. Anteriormente, ele disse que seu cliente é inocente.
Ao Estadão, Mondego contou que representa a família da vítima do estupro e observou que o ex-subsecretário o seguia em suas redes sociais. "Ele vinha me seguindo desde que assumi o caso. Depois de algumas reportagens exibidas na TV neste domingo (8), ele resolveu me atacar. Eu respondi ao ataque dele, mas não foi só o xingamento. Ele teve a nítida intenção de intimidar a defesa da vítima, o que pode ser considerado coação no curso do processo", diz.
Em sua página no Instagram, Mondego reproduziu a mensagem atribuída a José Carlos Simonin, na qual alega que o advogado "está querendo cinco minutos de fama" e o manda "trabalhar". O advogado respondeu à publicação dizendo que trabalha para que o filho de José Carlos continue preso e responda na Justiça pelo estupro. Diz ainda que cada um ocupa o lugar que escolheu e que ele está ao lado da vítima. "A Justiça seguirá fazendo o resto", diz.
O advogado diz que, em tese, houve infração ao artigo 344 do Código Penal, que trata de violência contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial. O crime, se confirmado, é punido com reclusão de 1 a 4 anos. "Nesse momento nossa prioridade é buscar apoio psicossocial para a vítima e responsabilizar os autores do crime. Em outro momento vamos analisar as medidas cabíveis que dependem de minha iniciativa."
A adolescente afirma que foi atraída pelo ex-namorado, menor de idade, para o apartamento de Vitor Hugo, em Copacabana, onde ele estava com outros 3 adultos. Os quatro maiores de idade, entre eles Vitor Hugo, teriam abusado da vítima e são réus por estupro coletivo qualificado. O menor responde por atos infracionais análogos.
José Carlos Simonin exercia o cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. No último dia 4, após o caso vir à tona, ele foi exonerado pelo governador Cláudio Castro (PL). No mesmo dia, Vitor Hugo, que estava foragido, se entregou à polícia.
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