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Adolescentes começam a vida sexual cada vez mais tarde, diz pesquisa do IBGE

A iniciação sexual mais tardia tem sido evidenciada tanto para os meninos quanto para as meninas

Estadão Conteúdo

Os adolescentes brasileiros estão postergando a iniciação sexual, conforme a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) do IBGE. Em 2024, 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam tido uma relação sexual, uma redução de 5 pontos percentuais em relação a 2019 e 7,1 p.p. se comparado a 2015.

A tendência de iniciação sexual mais tardia é observada tanto em meninos quanto em meninas, embora a porcentagem de alunos do sexo masculino com experiência sexual (34,1%) seja maior que a das femininas (26,8%).

Uma diferença significativa foi notada entre as redes de ensino: 32,7% dos estudantes da rede pública já tiveram relação sexual, contra 18,3% na rede privada. O tipo de escola e contextos socioeconômicos vulneráveis são preditores importantes, segundo a pesquisa.

Uso de camisinha e riscos de DSTs

A postergação da iniciação sexual é vista como um aspecto positivo para reduzir a exposição a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e à gravidez precoce. No entanto, o levantamento aponta um cenário preocupante sobre o uso de preservativos.

Em 2024, 61,7% dos escolares usaram camisinha na primeira relação sexual, uma queda de 1,6 p.p. em relação a 2019. Na última relação sexual, a porcentagem diminuiu de 59,1% para 57,2%.

Pesquisadores destacam que o preservativo é o método mais eficaz para prevenir infecções sexualmente transmissíveis, mas uma parte considerável dos adolescentes não o utilizou na primeira experiência. Há menor prevalência de uso entre jovens de 13 a 15 anos (58,6%) comparado a 16 e 17 anos (64%), aumentando os riscos.

Gravidez precoce: um alerta social

A pesquisa também evidenciou a gravidez na adolescência como um problema crítico. A Pense de 2024 registrou que 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram pelo menos uma vez, representando 7,3% das que já iniciaram a vida sexual.

Destas, 98,7% eram de escolas da rede pública, ressaltando a vulnerabilidade socioeconômica. A diferença na prevalência da gravidez entre estudantes de escolas públicas e privadas aumentou de três vezes em 2019 para oito vezes em 2024.

Outro dado preocupante é que a porcentagem de meninas que já engravidaram foi maior entre as mais jovens, de 13 a 15 anos (8,6%), do que entre as de 16 a 17 anos (6,6%). A falta de orientações escolares sobre saúde sexual e reprodutiva está associada a maiores chances de relações sexuais desprotegidas e iniciação sexual mais precoce.