Automação residencial: casas inteligentes ganham espaço no Pará
Tecnologia de automação avançou e oferece de conforto à acessibilidade em Belém, com investimentos que partem de dispositivos populares
A consolidação das casas inteligentes no Pará reflete uma mudança de comportamento do consumidor, que busca aliar tecnologia ao cotidiano para obter mais conforto e segurança. Em Belém, o mercado de automação residencial amadureceu desde os primeiros projetos em 2011, deixando de ser um item de ficção científica para se tornar uma ferramenta de eficiência energética e inclusão social. O avanço foi impulsionado pela popularização de assistentes virtuais e pela queda nos preços de componentes básicos, permitindo que diferentes classes sociais comecem a automatizar suas rotinas.
Muitas vezes confundidos, os conceitos de Internet das Coisas (IoT) e automação possuem diferenças técnicas fundamentais. Segundo Sérgio Andrade, engenheiro de controle e automação e CMO da Salt Engenharia, os dispositivos de IoT, como as lâmpadas inteligentes e assistentes de voz populares, dependem exclusivamente da nuvem.
"Quando a gente fala de automação de fato, ela implica em ter um dispositivo dentro da tua casa que toma as decisões e também armazena as informações da residência. Já a Internet das Coisas é tudo na nuvem, ou seja: se você não tem internet, a sua casa não funciona. Já na automação, o servidor fica dentro do imóvel e utiliza a rede interna, a intranet, o que garante o funcionamento mesmo offline", explicou.
Segundo Sérgio Andrade, o campeão de buscas no setor é a automação de iluminação (Ivan Duarte / O Liberal)
Conforto e acessibilidade são motores do mercado
Segundo o engenheiro, o campeão de buscas no setor é a automação de iluminação, fundamentada no conceito de ciclo circadiano, que adapta a luz da casa ao ritmo natural do corpo humano. Andrade ressalta que, embora o luxo tenha sido o primeiro atrativo, a tecnologia hoje cumpre papéis fundamentais de acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência.
"Tenho o exemplo de uma pessoa conhecida que, aos 83 anos, ficou cega por glaucoma e agora consegue saber as horas, pedir para ouvir Roberto Carlos no Spotify e ouvir as notícias do dia. Para algumas pessoas pode parecer luxo, mas para outras é, de fato, uma necessidade que devolve a liberdade e a autonomia no dia a dia", relatou o engenheiro.
Investimento e experiência do consumidor
Para quem deseja transformar a residência, os custos variam conforme a complexidade. Projetos de alta gama, que integram climatização, cortinas, áudio, vídeo e segurança, podem exigir investimentos maiores. O arquiteto belenense Luís Guedes, de 39 anos, optou pela automação total de sua casa e destaca a praticidade de controlar o imóvel de qualquer lugar do mundo.
"Fizemos uma automação total residencial que envolve o controle de todos os ar-condicionados, iluminação, sistema de TV e cortinas. É uma casa que realmente parece ser de ficção científica. Um investimento dessa dimensão gira em torno de R$ 80 mil a R$ 100 mil reais hoje, mas entendemos que isso se reverte em conforto diário e na segurança de acessar câmeras e alarmes em tempo real", detalhou o arquiteto.
Sérgio Andrade, engenheiro de controle e automação (Ivan Duarte / O Liberal)
O futuro com inteligência artificial
A tendência para os próximos cinco anos em Belém e no Brasil é a chegada da inteligência embarcada. Diferente dos sistemas atuais que respondem apenas a comandos pré-programados, a casa passará a aprender os hábitos do morador, permitindo conversas naturais para solicitar ajustes complexos no ambiente.
"Antigamente a automação apenas respondia a estímulos, como clicar em um botão ou programar um horário, mas a casa não aprendia quem você era. Hoje, a tendência é a inteligência embarcada, onde você conversa com o seu lar como faz com o ChatGPT, solicitando que a iluminação e o clima se preparem para um evento, e o sistema responde adequadamente às suas necessidades", concluiu Sérgio Andrade.
O que saber antes de automatizar
- Internet das Coisas (IoT): dispositivos mais baratos (lâmpadas, tomadas), de fácil instalação, mas que dependem de internet para funcionar
- Automação profissional: exige central (servidor) interna, funciona sem internet e permite criar cenas complexas (ex: modo cinema que apaga luzes e fecha cortinas)
- Economia: em empresas, a automação foca na eficiência energética, ajustando o ar-condicionado e luzes conforme a temperatura e iluminação solar externa
- Acesso: dispositivos básicos de IoT custam a partir de R$ 200, enquanto sistemas integrados de engenharia são voltados para os perfis das classes B e A
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