Durante o verão amazônico, devido às altas temperaturas e grande incidência de suor, é comum que a população opte por roupas mais leves, sem mangas e folgadas, com cores vibrantes e neutras, estampas e fluidez. A prática ajuda a manter o bem-estar em meio ao calor, principalmente quando há circulação ao ar livre e sob o sol. Entretanto, para além do estilo das peças, é necessário direcionar a atenção aos tecidos escolhidos e à higienização realizada após o uso, conforme orientam a especialista em moda Felícia Maia e a médica dermatologista Heliana Goés.
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Felícia, que também atua como coordenadora do Amazônia Fashion Week, afirma que para o clima da região amazônica, conhecido por ser quente e úmido, o ideal é utilizar tecidos de fibras naturais, como linho e algodão. “São recomendados porque permitem a respiração da pele, facilitam a evaporação do suor e mantém o corpo fresco, evitando aquela sensação de abafamento e umidade”, fala. A viscose, apesar de ser uma fibra artificial, também é indicada.
“Eles têm maior capacidade de absorção de umidade e a respirabilidade. O algodão permite que o ar circule melhor entre as tramas, absorve o suor da pele e facilita a evaporação natural. Isso ajuda a manter a temperatura corporal regulada”, comenta Heliana que, além do trabalho clínico, exerce a presidência da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional Pará (SBD-PA).
Poliéster, poliamida e elastano, muito aplicadas para roupas casuais e do dia a dia, não são recomendadas, exceto para práticas de atividades físicas — nas quais são adotadas peças com tecnologia dry fit. “Esses tecidos são verdadeiras barreiras plásticas, porque são derivados do petróleo. Eles retém calor e suor, causando aquela sensação desconfortável de roupa colada, aquela ideia que o paraense fala de estar ‘breado’”, diz Felícia. Heliana destaca que o uso pode impulsionar a retenção de odores corporais.
Escolhas ideais
Na hora de escolher quais peças comprar para usar durante dias quentes, é importante que o consumidor opte por modelagens soltas e roupas mais largas, como vestidos, batas e camisas que auxiliam na ventilação corporal, segundo Felícia Maia: “Outra recomendação também é usar roupas com cortes mais soltos e cores claras, porque não absorvem o calor, elas refletem. Então, na hora que elas refletem, evitam que mais calor venha para o corpo. Isso é fundamental para evitar a transpiração, o superaquecimento e o calor excessivo.”
Esses são detalhes importantes para a professora de balé Suzi Wendy, de 22 anos. Durante um passeio pelo comércio de Belém, na manhã da última terça-feira (21), ela procurava por vestimentas que fossem adequadas para o clima do Pará. “Nesse calor, a gente sua muito. O tecido conta muito, porque pode até ser leve, mas fica indomodando. Então, tem que ser um leve e bem confortável. Eu prefiro vestido, short leve e blusinha, as calças eu acho que esquentam bastante”, conta.

Além de Suzi, a estudante Vitória Serafim, de 21 anos, também prefere peças mais leves e que a deixem mais tranquila. “Geralmente, minha escolha é mais roupa de alcinha, porque entra mais vento, fica mais à vontade. Me sinto bem confortável, bem livre”, fala. Essa escolha de Vitória é mais frequente durante o dia a dia do verão amazônico e para diferentes atividades da rotina.

Para aqueles que praticam atividades físicas e trabalham ao ar livre com longa exposição ao sol, Heliana recomenda o uso de roupas com proteção UV certificada, que, geralmente, possuem fator de proteção solar (FPS) de 50 em diante. De acordo com a dermatologista, essas peças “bloqueiam a passagem dos raios ultravioleta de forma mecânica e constante, sem perder o efeito quando molhadas ou esticadas”. Por sinal, pessoas que possuem maior risco de câncer de pele — sejam pelas características físicas (pele, cabelos e olhos claros), histórico familiar ou uso de medicamentos imunossuprimidos — devem priorizar essas vestimentas.
“Costuma-se dizer que [roupa com proteção UV] bloqueia 98% da radiação. Então, esses tecidos funcionam muito bem. Um tecido de algodão bloquearia 30% dos raios solares. Os protetores solares têm uma boa cobertura, mas precisam ficar sendo recolocados por causa do suor e quando a pessoa se molha. As roupas com proteção UV, com certeza, têm benefícios de proteger a pele para evitar queimaduras”, ressalta Felícia.
Perigos à saúde
Tão importante quanto escolher o tecido e a modelagem, o tempo de uso e a higienização das peças deves ser pontos de atenção. “O suor retido e o abafamento prolongado criam o ambiente perfeito (úmido, quente e escuro) para a proliferação acelerada de fungos e bactérias que já habitam naturalmente a nossa pele. Ficar com a roupa molhada por muito tempo corrompe a barreira cutânea, aumentando o risco de infecções na pele, dermatites por contato, agravamento de brotoejas e o surgimento de micoses e foliculites”, destaca a médica dermatologista Heliana Goés.
Heliana fala que as roupas suadas devem ser estendidas em um local ventilado para secar antes de serem colocadas no cesto de peças para lavar: “As roupas suadas guardadas em um cesto úmido ou fechado favorecem o crescimento exponencial de micro-organismos e bolor, o que impregna o tecido com um mau cheiro difícil de remover e pode até contaminar outras peças na lavagem. Evite deixar peças úmidas emboladas. Na lavagem, utilize sabão adequado e certifique-se de que secaram completamente antes de guardar no armário.”

Em relação às doenças de pele, a dermatologista alerta que há uma série de dermatoses comuns no clima da Amazônia. Entre elas, estão as micoses superficiais, como tinhas/tineas e pitiríase versicolor/“pano branco”, que são infecções fúngicas; foliculites, caracterizadas por inflamações dos folículos pilosos, semelhantes a pequenas espinhas com possível coceira e dor; brotoejas, chamadas de miliárias, que surgem com pequenas bolinhas vermelhas causadas pela oclusão de ductos das glândulas sudoríparas; e dermatite de contato e intertrigo, provocando assaduras e irritações nas dobras da pele.
Os tecidos também podem ser prejudicados se não houver limpeza adequada, visto que surgem manchas, conhecidas como “caruncho”. “Nunca coloque uma roupa molhada no cesto. Muitas vezes, é bom fazer uma lavagem prévia usando um pouco de vinagre branco ou bicarbonato de sódio para, depois, ir para a máquina de lavar”, orienta a especialista em moda Felícia Maia.