Casos de otite externa aumentam no verão amazônico, alerta otorrinolaringologista
Maior exposição à água favorece a permanência de umidade no canal auditivo, aumentando o risco da doença
Durante o mês de julho, quando o verão amazônico coincide com o período de férias escolares, há um aumento na frequência de banhos em praias, piscinas, igarapés e balneários. Segundo Henderson Cavalcante, médico otorrinolaringologista do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS/CHU-UFPA/HU Brasil), a maior exposição à água favorece a permanência de umidade no canal auditivo, condição que pode facilitar o desenvolvimento da otite externa e o aumento na ocorrência de casos durante o período.
Conhecida como “otite de verão”, a doença se caracteriza pela infecção ou inflamação que atinge o canal auditivo. “A exposição prolongada à água deixa a pele do canal auditivo mais úmida e vulnerável, favorecendo a proliferação de bactérias e, em alguns casos, de fungos”, informa o médico Henderson Cavalcante.
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O risco eleva entre pessoas que permanecem por muito tempo na água ou frequentam os ambientes com frequência, como crianças e praticantes de esportes aquáticos. Além disso, segundo o médico, o uso de cotonetes ou outros objetos para manipular os ouvidos é um dos fatores que podem favorecer o quadro. São mais suscetíveis pessoas com doenças de pele, como dermatite e psoríase, e pacientes com diabetes ou baixa imunidade.
“Os sintomas mais comuns são dor no ouvido, coceira, sensação de ouvido tampado e diminuição da audição. Um sinal bastante característico da otite externa é a dor ao tocar ou movimentar a orelha. Em alguns casos, também pode haver saída de secreção pelo ouvido”, diz o médico.
Riscos
A permanência de água no canal auditivo é o principal fator de risco, porém, águas com maior contaminação podem aumentar a exposição a microrganismos. O médico indica evitar banhos em locais cuja qualidade da água seja desconhecida ou inadequada para recreação.
Além disso, fazer uso de cotonete pode remover o cerúmen, que funciona como uma proteção natural do ouvido, além de provocar pequenas lesões na pele do canal auditivo. Segundo Henderson, essas alterações podem facilitar a entrada de microrganismos e o risco de infecção. Por isso, deve-se restringir a limpeza à parte externa da orelha.
“Sempre que a dor for intensa, persistir por mais de um ou dois dias, vier acompanhada de febre, secreção, diminuição da audição ou piorar progressivamente, é importante procurar avaliação médica”, pontua o médico. Pessoas com diabetes ou imunidade comprometida também devem buscar atendimento precocemente, pois apresentam maior risco de complicações.
Além disso, é preciso evitar o uso de medicamentos por conta própria: nem toda dor de ouvido tem a mesma causa. O tratamento varia conforme o diagnóstico, e fazer uso inadequado de antibióticos ou de gotas otológicas pode mascarar os sintomas, atrasar o tratamento correto e, em algumas situações, até agravar o problema.
Como cuidar corretamente?
A recomendação é inclinar a cabeça para cada lado, permitindo que a água escorra naturalmente, e secar apenas a parte externa da orelha com uma toalha limpa e macia. Não se deve introduzir cotonetes, hastes flexíveis ou qualquer outro objeto dentro do canal auditivo.
Já para as crianças, que costumam passar mais tempo brincando na água durante as férias, ficam mais expostas ao risco de desenvolver otite externa. “Elas apresentam maior ocorrência de outros tipos de otite, especialmente após infecções respiratórias. Pais e responsáveis devem ficar atentos às queixas de dor, à irritabilidade e ao hábito de levar as mãos aos ouvidos”, destaca Henderson.
Veja a lista de medidas de prevenção
- Evitar que a umidade permaneça no ouvido por longos períodos
- Secar corretamente a região após o banho
- Não utilizar cotonetes ou outros objetos para limpar o canal auditivo
- Evitar banhos em águas impróprias
- Procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas
- Evitar a automedicação
Fonte: Henderson Cavalcante, médico otorrinolaringologista do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS/CHU-UFPA/HU Brasil)
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidade
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