Tatiana Sampaio: Quem é a cientista que pode trazer movimentos de volta a humanos?
A descoberta reacendeu a esperança de pacientes com lesões na medula espinhal, que até agora não tinham tratamentos capazes de reverter os danos
A bióloga Tatiana Sampaio ganhou destaque nacional nos últimos dias ao apresentar a polilaminina, uma versão desenvolvida em laboratório da laminina, uma proteína natural do corpo humano responsável por auxiliar a comunicação entre os neurônios.
A pesquisa, realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utilizou a placenta humana como base para criar a molécula, abrindo caminho para avanços inéditos na recuperação de movimentos. Mas, afinal, quem é Tatiana e qual a sua trajetória de pesquisa?
Quem é Tatiana Sampaio?
Tatiana Sampaio é formada em ciências biológicas na UFRJ, onde construiu toda a sua trajetória acadêmica. Desde então, não deixou o mundo da pesquisa, concluindo mestrado e doutorado na área e realizando estágios de pós-doutorado na University of Illinois e na University of Erlangen-Nuremberg.
Aos 27 anos, conquistou uma vaga como professora na UFRJ, consolidando sua carreira acadêmica ainda jovem. Atualmente, aos 59 anos, Tatiana lidera os estudos sobre a polilaminina, molécula que promete revolucionar a recuperação de movimentos em pessoas com lesões na medula.
Paralelamente, conduz pesquisas com cães para avaliar os efeitos da molécula em lesões crônicas, abrindo novas possibilidades de aplicação terapêutica. Tatiana é sócia e consultora científica da Cellen, empresa especializada na produção de células-tronco para uso veterinário, unindo ciência e inovação em prol da saúde humana e animal.
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Pesquisa é realizada desde a década de 1990
Iniciada em 1998, a pesquisa liderada pela cientista carioca Tatiana Sampaio, coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, busca desenvolver um tratamento capaz de reverter ou minimizar lesões na medula espinhal e devolver movimentos a pacientes com paralisia.
Durante os testes iniciais, a polilaminina foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, com resultados animadores: seis deles recuperaram parcialmente os movimentos. Um dos participantes, que estava paralisado do ombro para baixo, conseguiu voltar a andar sozinho, marcando um avanço significativo na área de reabilitação neurológica.
Anvisa autorizou nova fase
Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início da primeira fase do estudo clínico para avaliar a segurança do medicamento no tratamento de lesões da medula ou coluna vertebral. Nesta etapa, a pesquisa envolve cinco pacientes voluntários, com acompanhamento detalhado dos efeitos e possíveis resultados terapêuticos da polilaminina.
A descoberta reacende a esperança de pacientes com lesões na medula espinhal, que até agora não tinham tratamentos capazes de reverter os danos.
(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com).
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