Pré-natal e acompanhamento médico garantem segurança para a mãe e o bebê na gravidez
Entenda a importância dos cuidados começarem antes mesmo de a gravidez ser confirmada
O planejamento gestacional tem ganhado cada vez mais destaque entre profissionais de saúde como uma etapa fundamental para quem deseja mais segurança na gravidez. Exames, vacinação e avaliações médicas, assim como mudanças de hábitos antes mesmo da concepção, garantem uma gestação tranquila. Os cuidados reduzem os riscos à saúde da mulher e do bebê. A médica ginecologista e obstetra Ana Paula Fonseca explica como o pré-natal é essencial para prevenir complicações e promover um desenvolvimento fetal saudável.
Segundo a médica, o cuidado ideal começa antes mesmo de a gravidez ser confirmada. A consulta pré-concepcional permite identificar e ajustar fatores que podem interferir diretamente na gestação.
“A consulta pré-concepcional seria realmente o ideal, pois permite ajustar fatores que podem interferir de forma direta na gestação. Nesse momento, é possível fazer os ajustes nutricionais necessários, controlar doenças crônicas, avaliar o uso de medicamentos inadequados e ajustar hábitos de vida antes mesmo da gravidez acontecer”, explica a especialista.
Pré-natal
Na ausência desse planejamento, a orientação é procurar atendimento médico assim que a gestação for identificada. Segundo Ana Paula Fonseca, o início precoce do pré-natal garante a introdução da suplementação adequada e o acompanhamento correto desde as primeiras semanas.
“Caso não seja possível fazer a consulta antes, o ideal é iniciar o pré-natal assim que a gravidez for identificada, para que a gestante possa iniciar a suplementação adequada e receber as orientações necessárias dali em diante”, destaca a médica.
Saúde gestacional
Logo nas primeiras consultas, uma série de exames é solicitada para avaliar a saúde da gestante e identificar precocemente possíveis riscos. De acordo com Ana Paula Fonseca, esses exames vão além do acompanhamento da gravidez em si e ajudam a prevenir complicações futuras.
“No início do pré-natal, são solicitados exames de sangue, fezes, urina, secreção vaginal, sorologias e tipagem sanguínea. Eles são importantes para avaliar a parte metabólica, diminuir riscos de doenças crônicas e diagnosticar alterações de forma precoce, permitindo que sejam tratadas ainda no início”, afirma a médica.
Além dos exames laboratoriais, os exames de imagem também têm papel fundamental no acompanhamento da gestação, especialmente no primeiro trimestre.
“Os exames de imagem ajudam a confirmar a idade gestacional, a viabilidade da gravidez e a identificar riscos precocemente, o que permite intervenções seguras e eficazes”, completa Ana Paula Fonseca.
Prevenção
Outro ponto essencial para uma gestação segura é a atualização do calendário vacinal. As vacinas protegem tanto a gestante quanto o bebê contra infecções que podem ser graves durante a gravidez ou nos primeiros meses de vida da criança.
“As vacinas protegem a gestante e o bebê contra infecções potencialmente graves. Durante a gravidez, a mulher transmite anticorpos ao bebê, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida”, explica Ana Paula Fonseca.
A médica lista que entre as principais vacinas recomendadas durante a gestação estão a influenza, a dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, a vacina contra a Covid-19, a hepatite B e, mais recentemente, a Abrysvo, indicada para prevenção do bronquiolite.
“Algumas vacinas são potencialmente contraindicadas durante a gravidez, principalmente as de vírus vivo atenuado. Essas devem ser feitas antes ou depois da gestação, sempre com orientação médica, para garantir maior segurança”, alerta a médica.
Cuidados
O acompanhamento ao longo da gravidez segue uma rotina que varia de acordo com a fase gestacional. Ana Paula Fonseca explica que as consultas costumam ser mensais até cerca de 28 semanas, passam a ser quinzenais até 36 semanas e, depois disso, tornam-se semanais até o parto.
“No início, o foco principal é confirmar a gestação, avaliar riscos e orientar hábitos saudáveis. No segundo trimestre, o acompanhamento se concentra no crescimento fetal e em exames específicos. Já no terceiro trimestre, o acompanhamento se intensifica para monitorar alterações que possam surgir e avaliar os sinais de trabalho de parto”, detalha a obstetra.
Ana Paula Fonseca pontua que a suplementação vitamínica também faz parte do cuidado durante a gestação, mas deve sempre ser individualizada. Apesar de ser comum o uso de vitaminas nesse período, a automedicação pode trazer riscos.
“De uma forma geral, a suplementação é necessária, porque é uma fase da vida da mulher em que o corpo passa por muitas mudanças. A suplementação ajuda a suprir as demandas do bebê e da mãe, mas o uso deve ser individualizado, e por isso a avaliação médica é tão importante”, orienta a especialista.
Atenção
Mesmo com o acompanhamento regular, alguns sinais durante a gestação exigem atenção imediata. A médica reforça que a gestante não deve esperar a próxima consulta se perceber algo fora do normal.
“Sangramentos vaginais, dor abdominal intensa, dor de cabeça forte e persistente, febre, diminuição ou ausência dos movimentos do bebê, perda de líquido pela vagina e falta de ar são sinais que devem ser valorizados. Nessas situações, a gestante deve procurar atendimento médico imediatamente”, alerta Ana Paula Fonseca.
Emocional
Além dos cuidados físicos, o aspecto emocional também precisa ser levado em conta, especialmente para mulheres que vivem a maternidade pela primeira vez. A orientação de Ana Paula Fonseca é manter hábitos saudáveis, comparecer às consultas e contar com uma rede de apoio.
“É fundamental manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física segura, dormir bem e comparecer a todas as consultas de pré-natal. Ter uma rede de apoio, conversar sobre medos e expectativas e manter um acompanhamento médico humanizado faz toda a diferença para uma gestação mais tranquila e saudável, tanto física quanto emocionalmente”, reforça a especialista.
Experiências
A experiência da gestante Daniely Vitória Araújo, de 19 anos, mostra na prática a importância do acompanhamento médico desde o início. Grávida de seis meses do primeiro filho, um menino que se chamará Mateu, ela relata que o início da gestação foi marcado por dificuldades. “Para mim, no início, foi tudo muito novo. Cheguei a ficar internada, então foi bem complicado. Eu vomitava muito, fiquei desidratada e acabei ficando uma semana e dois dias internada”, conta.
Segundo Daniely, a internação aconteceu logo no começo da gravidez, período em que os enjoos eram intensos. Com o passar do tempo e o acompanhamento médico, a situação foi se estabilizando. “Depois que os enjoos passaram e depois de passar por bastante coisa, eu comecei a melhorar. Hoje eu já acho o processo bem melhor”, relata.
Mudanças
Curiosa, ela buscou informações em diferentes fontes para entender melhor as mudanças do próprio corpo e o que esperar da gestação. Mas percebeu que nem tudo aparece nas pesquisas.
“Hoje em dia, é tudo Google, internet, TikTok, Instagram. Eu gosto de pesquisar, conversar com as pessoas e tirar minhas dúvidas. Mas alguns relatos que me falaram não aparecem nas pesquisas, e isso me deixou um pouco assustada”, diz.
A rotina de Daniely inclui consultas médicas regulares e a continuidade no trabalho como jovem aprendiz. Ela afirma que, apesar do cansaço em alguns momentos, consegue manter o dia a dia normalmente. “Minha rotina é bem tranquila. Quando é dia de médico, eu vou de manhã, depois almoço e vou trabalhar. Às vezes fico mais cansada, porque o corpo vai mudando, mas nada que me impeça de seguir”, explica.
Orientação médica
O uso de vitaminas também faz parte da rotina dela, sempre com orientação médica, especialmente após ajustes feitos por causa dos enjoos intensos no início da gravidez. “Eu tomo a vitamina antes do café. No começo, eu tomava sulfato ferroso, mas como eu vomitava muito, precisei mudar, e isso me ajudou bastante”, conta.
Ser mãe ainda jovem trouxe desafios emocionais, mas o apoio da família e do companheiro foi determinante para que ela se sentisse mais segura durante o processo.
“No início, eu fiquei com muito medo. Eu pensava: ‘Meu Deus, o que eu vou fazer?’. Tenho 19 anos, ainda estou aprendendo muita coisa. Mas o apoio da minha família e do meu marido foi tudo para mim. Sem esse apoio, teria sido muito mais difícil”, afirma.
Mudanças
Hoje, Daniely diz que a prioridade mudou completamente e que tudo gira em torno da chegada do bebê, desde o planejamento financeiro até as pequenas escolhas do dia a dia. “Agora o foco é só o bebê. Tudo o que a gente faz é pensando nele. Tudo é para ele”, resume a jovem.
Para ela, o acompanhamento pré-natal, aliado à informação e ao apoio emocional, tem sido fundamental para enfrentar os desafios da gestação e viver esse momento com mais segurança e tranquilidade.
Acompanhamento
A Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) informou que o pré-natal é ofertado em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS), por demanda espontânea, sem necessidade de agendamento. “A gestante deve procurar a unidade de referência do seu território para realizar o cadastro e a primeira consulta com a enfermeira, que faz o acolhimento e inicia o acompanhamento”, destacou.
Segundo o órgão, o pré-natal conta com consultas mensais e atendimento multiprofissional, além da solicitação e avaliação periódica de exames. “A partir da 33ª ou 34ª semana de gestação, caso a mulher manifeste interesse, a equipe inicia o diálogo sobre planejamento reprodutivo, com orientações sobre a possibilidade de laqueadura, respeitando a legislação vigente e a decisão da gestante”, pontuou.
“Não há unidade exclusiva para gestantes. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em todas as UBSs da rede municipal. A Sesma orienta que as gestantes mantenham as consultas e exames em dia, sigam as recomendações de saúde repassadas pela equipe”, finalizou a Sesma.
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