O que é o Transtorno Bipolar? Entenda sintomas, diagnóstico e tratamento
Especialistas alertam para sinais precoces e destacam importância do apoio familiar no controle da doença
Muito além de oscilações de humor, o transtorno bipolar é uma condição clínica complexa que exige diagnóstico adequado, tratamento contínuo e acolhimento. No Dia Mundial do Transtorno Bipolar, celebrado em 30 de março, especialistas reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre saúde mental e combater o estigma associado à doença.
Segundo a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), cerca de 140 milhões de pessoas vivem com o transtorno no mundo. Os primeiros sinais costumam surgir antes dos 30 anos, período marcado por mudanças pessoais e sociais significativas.
A condição é caracterizada por episódios alternados de depressão, mania e, em alguns casos, hipomania. Essas fases apresentam sintomas distintos e podem impactar diretamente a vida social, profissional e afetiva do paciente.
Sintomas do transtorno bipolar variam entre fases
Na fase depressiva, os principais sintomas incluem:
- Tristeza persistente;
- Perda de interesse em atividades;
- Alterações no sono e apetite;
- Fadiga e dificuldade de concentração;
- Pensamentos recorrentes de morte.
Já nos episódios de mania ou hipomania, é comum observar:
- Sensação intensa de bem-estar;
- Aumento de energia;
- Redução da necessidade de sono;
- Impulsividade e fala acelerada;
- Ideias de grandiosidade e menor percepção de riscos.
De acordo com o psicólogo Felipe Barata, o transtorno não se resume a mudanças rápidas de humor ao longo do dia. Segundo ele, os episódios têm duração definida e tendem a se intensificar sem tratamento.
Diagnóstico é clínico e deve ser feito por especialistas
O diagnóstico do transtorno bipolar é realizado por profissionais da psiquiatria ou psicologia, com base em avaliação clínica detalhada. São considerados o histórico do paciente, contexto de vida, antecedentes familiares e possíveis transtornos associados.
Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), os primeiros episódios costumam surgir entre 18 e 25 anos. A partir da análise, também é possível identificar o tipo do transtorno:
- Tipo I: episódios de mania com duração de cerca de sete dias, intercalados com depressão;
- Tipo II: episódios de hipomania por pelo menos quatro dias, com fases depressivas mais longas;
- Transtorno ciclotímico: oscilações frequentes de humor sem períodos claros de estabilidade.
Estigma ainda dificulta diagnóstico e tratamento
Apesar de ser tratável, o transtorno bipolar ainda enfrenta forte preconceito. A Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB) aponta três formas principais de estigma:
- Público, que gera discriminação;
- Autocensura, quando o paciente esconde o diagnóstico;
- Evitação de ajuda por medo de julgamento.
Esse cenário contribui para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento, o que pode agravar os sintomas.
Apoio familiar e acesso ao SUS são fundamentais
O suporte de familiares e amigos é essencial para identificar mudanças de comportamento e incentivar o tratamento. O acolhimento, a escuta sem julgamentos e um ambiente seguro fazem diferença no processo de estabilização.
No Brasil, o atendimento em saúde mental é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS);
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS);
- Consultórios de rua;
- Unidades de acolhimento;
- Serviços hospitalares especializados.
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