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Como funciona a polilaminina? Confira 10 pontos sobre o remédio que pode reverter paraplegia

Medicação brasileira é estudada para devolver movimentos após lesão na medula

Hannah Franco

A polilaminina, substância desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), surge como uma nova esperança para pessoas com lesão medular. O medicamento foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de estudos clínicos, etapa que avalia a segurança da aplicação em humanos.

👩‍⚕️ A pesquisa é liderada pela professora Tatiana Sampaio e resulta de quase três décadas de estudos. A substância foi descoberta por acaso durante experimentos laboratoriais e pode ajudar pacientes com paraplegia a recuperar total ou parcialmente os movimentos.

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Lesões na medula espinhal geralmente ocorrem após acidentes, como quedas e colisões de carro ou moto, além de casos de violência com armas. Dependendo da gravidade, podem levar à paraplegia ou tetraplegia. Atualmente, não há tratamento capaz de restaurar plenamente os movimentos em casos de lesão completa.

💉 10 pontos importantes sobre a polilaminina

Confira os principais aspectos do tratamento em estudo:

1. O que é exatamente a polilaminina?

A polilaminina é um composto produzido em laboratório a partir da laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano. Durante o desenvolvimento fetal, essa proteína atua como uma espécie de “trilho biológico”, orientando o crescimento dos neurônios e a formação do cérebro e da medula espinhal.

A descoberta brasileira consistiu em reproduzir esse mecanismo em laboratório, criando uma estrutura capaz de orientar novamente o crescimento nervoso em áreas lesionadas.

2. Como ela funciona dentro da medula lesionada?

O grande diferencial da pesquisa foi identificar como fazer a proteína se polimerizar — ou seja, se organizar formando uma estrutura física. Quando injetada na área lesionada, a substância forma uma rede microscópica que serve como conduíte para os axônios rompidos.

Essa rede permite que as conexões nervosas sejam restabelecidas, recuperando a comunicação elétrica entre o cérebro e os membros.

3. Como é feita a aplicação do medicamento?

A aplicação é realizada durante uma cirurgia. Como pacientes com lesão medular geralmente já precisam passar por procedimento ortopédico para estabilizar a coluna com pinos e placas, o cirurgião aproveita que a medula está exposta para aplicar a substância.

A polilaminina é injetada diretamente no local exato da lesão, com auxílio de seringa. Não se trata de um medicamento de uso domiciliar ou ambulatorial.

4. Quantas vezes é preciso aplicar?

O protocolo prevê aplicação única.

A substância é administrada apenas uma vez, no momento da cirurgia. Segundo os estudos iniciais, não há previsão de reaplicações periódicas.

5. Quem pode receber o tratamento?

Nos testes clínicos iniciais, apenas pacientes com lesão medular completa participaram do estudo. Isso significa que eram pessoas sem qualquer sensibilidade ou movimento abaixo da área lesionada. A intenção futura é ampliar o uso para lesões incompletas, que ainda preservam algum grau de movimento ou sensibilidade.

No momento, não há estudo clínico aberto. A equipe aguarda nova autorização da Anvisa.

6. Pode funcionar em lesões antigas com cicatriz?

Existe a expectativa de que a polilaminina possa beneficiar pacientes com lesões crônicas, ou seja, antigas e já cicatrizadas. No entanto, a presença de cicatriz pode reduzir a eficácia, pois cria uma barreira física para o crescimento nervoso.

Em alguns casos, pode ser necessário remover o tecido cicatricial antes da aplicação. A eficácia nesses casos ainda está em investigação.

7. O tratamento é indicado para qualquer problema na coluna?

Não. A polilaminina não é indicada para dores nas costas comuns, desgaste de cartilagem, osteoporose ou hérnia de disco.

O foco do tratamento é exclusivamente a regeneração da parte nervosa da medula espinhal.

8. Em que fase estão os estudos clínicos?

O medicamento foi autorizado a iniciar a fase 1 de testes clínicos, que avalia a segurança da substância.

Após essa etapa, ainda serão necessárias mais duas fases para comprovar eficácia e definir protocolos definitivos.

9. Quando poderá estar disponível para a população?

Após a primeira fase, o medicamento ainda precisará passar por outras duas etapas clínicas para comprovação de segurança e eficácia. A expectativa é que a liberação mais ampla possa ocorrer em dois a três anos, caso os resultados sejam positivos.

A normalização completa na prática médica pode levar cerca de dez anos.

10. O tratamento poderá ser acessível pelo sistema público?

A produção da polilaminina conta com parceria do laboratório farmacêutico Cristália. Segundo declarações públicas, a intenção é que o medicamento não seja elitizado e se torne de uso corriqueiro na medicina.

Embora ainda dependa das etapas regulatórias, o objetivo declarado é garantir amplo acesso.