Amamentação reforça vínculos da maternidade

Santa Casa realiza trabalho de sensibilização sobre o aleitamento materno há 35 anos

Fabrício Queiroz
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A gestação é um processo marcante na vida de muitas mulheres. As conexões estabelecidas entre mãe e bebê se dão inicialmente por meio do cordão umbilical, que fica responsável por transportar sangue rico em oxigênio e nutrientes para o feto. Após o nascimento, essa ligação pode se estabelecer na forma de toques ou no gesto carregar no colo, mas também através do ato que atende às necessidades mais básicas da criança: o aleitamento.

Além da alimentação, a amamentação é importante do ponto de vista afetivo e da saúde, tanto que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que os recém-nascidos sejam estimulados a mamar logo na primeira hora após o parto. Os benefícios dessa prática incluem a liberação da ocitocina, um hormônio que auxilia na contração do útero e faz com as mulheres percam menos sangue e possam expulsar com mais facilidade a placenta. Esse primeiro contato também contribui para a chamada “descida do leite” e para que o vínculo afetivo seja fortalecido.

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Para promover e apoiar o aleitamento materno em todo o mundo, profissionais de saúde se mobilizam anualmente neste mês nas campanhas do Agosto Dourado. Entre os temas abordados está a divulgação do conhecimento sobre o leite, que deve ser a base exclusiva da alimentação dos bebês até os 6 meses. Após isso, ele pode ser complementado com a adição de outros alimentos, mas seu consumo pode ser prolongado até 2 anos ou mais.

A nutricionista Vanda Marvão explica que o alimento possui características nutricionais importantes para a promoção da saúde e a imunidade das crianças. O leite materno dos primeiros dias pós-parto, por exemplo, é conhecido como colostro e é reconhecido pela cor mais amarelada devido a sua composição rica em carotenoides e a vitamina A, que contribuem para o desenvolvimento da visão e a manutenção da saúde da pele.

“O leite vem adequado à digestibilidade da criança, conforme a faixa etária, e ele traz fatores de proteção agregados. A criança que mama tem menos diarreia porque ele tem imunoglobulinas, que são um tipo de proteína que vem nesse leite. Também protege essa criança contra doenças do trato respiratório e do trato digestivo”, afirma Vanda, que ressalta. “O leite vai muito além de um alimento”.

 

Na Santa Casa de Misericórdia, a maior maternidade do Estado do Pará, o conhecimento sobre esse recurso essencial à vida e o incentivo à amamentação é parte crucial das atividades realizadas no Banco de Leite Humano (BLH) da instituição há 35 anos.

O local funciona como referência para a arrecadação e fornecimento do alimento, sobretudo para bebês prematuros que não sugam o leite e estejam internados no próprio hospital, aqueles que nascem com infecção no trato digestivo, os que passaram por algum procedimento cirúrgico após o parto ou, ainda, aqueles que são intolerantes a algum elemento das fórmulas infantis. “O banco de leite é um centro promotor do aleitamento materno e colaborador dessa mãe nas suas dificuldades. Nossa principal missão é atender a mãe e o bebê que nasceu com alguma dificuldade no aleitamento materno”, frisa Vanda Marvão, que também é responsável técnica pelo BLH.

Ela afirma que a média de doações para o banco é de 220 litros de leite por mês, sendo que, de janeiro a julho deste ano, foram arrecadados 1.616 litros. Apesar do volume expressivo, a nutricionista esclarece que o quantitativo consegue atender até 60% do total de internados nos 140 leitos de UTI Pediátrica da Santa Casa, o equivalente a cerca de 74 bebês.

Por conta disso, uma das ações realizadas é o incentivo à doação voluntária de leite, seja de iniciativa própria ou por meio dos meios de comunicação. “A gente sempre nota que tem um aumento nas doações depois das campanhas. Os meses pós-campanha são períodos de destaque. Quando a gente faz campanha em maio, por exemplo, em junho a gente coleta melhor, depois cai de novo e iniciamos uma nova campanha”, diz a nutricionista, destacando que a mobilização é constante para que o BLH mantenha os estoques.

image Vanda Marvão, nutricionista do Banco de Leite da Santa Casa, destaca vantagens da amamentação e cuidados com o leite doado para a instituição (Márcio Nagano / O Liberal)

Solidariedade e educação marcam rotina do Banco de Leite

Atualmente, um desses pacientes atendidos pelo Banco de Leite da Santa Casa é a pequena Zoe, que nasceu prematura aos 7 meses pesando menos de um quilo. Devido a necessidade de cuidados especiais, a criança está há dois meses no hospital, onde recebe acompanhamento seguindo as orientações do Método Canguru. Essa abordagem preconiza o atendimento neonatal humanizado visando o desenvolvimento do organismo da criança, que precisa alcançar, no mínimo, 2,5 kg; bem como presta orientação às mães para o trato diferenciado com o recém-nascido dentro e fora da maternidade.

“Estou aprendendo a cuidar dela em simples detalhes, como trocar uma fralda, que é totalmente diferente de um bebê de nove meses para um de sete meses. Todas as pessoas que estão aqui, os enfermeiros, os técnicos estão sempre nos orientando, nos ajudando da melhor forma possível e quando nos sentimos inseguras no quesito amamentação, elas estão aqui presentes nos ajudando e tirando as nossas dúvidas”, conta a mãe da Zoe, Alciene Rocha Ferreira, de 25 anos.

Com o acompanhamento adequado, a evolução do quadro de saúde da criança já é evidente para a mãe, que ressalta a contribuição do aleitamento para a melhora. “Eu percebo que ela tem se desenvolvido muito bem. Por mais que ela não esteja recebendo o meu leite materno, isso fez com que ela ganhasse um peso mais rápido, que ela tivesse mais qualidade de vida e eu percebo a cada dia. Hoje ela tá com 1,6 kg, sendo que ela nasceu com 990 gramas”, relata.

image Alciene Rocha observa a evolução do quadro de saúde de Zoe, que recebe as doações do Banco de Leite (Márcio Nagano / O Liberal)

Ao longo da internação, mães como Alciene também podem conhecer as técnicas para amamentar, as melhores formas de estimular a lactação, o procedimento adequado para retirada do leite e até a identificar os sinais emitidos pelo bebê quando ele quer mamar. “A mãe tem que ter esse entendimento de que quando ele começa a se mexer, balança a cabeça para o lado, faz barulhinho com a boca já são sinais de prontidão. Se nesse momento não amamentar, ele vai se mexendo mais, põe a mão na boca, gesticula e se não botar no peito, ele começa a chorar”, orienta.

Outra preocupação da Santa Casa é com o alerta sobre a inclusão prematura de fórmulas lácteas industrializadas na dieta das crianças. Apesar do seu uso ser indicado em alguns casos, Vanda Marvão explica que se recorre a esses produtos como terceira alternativa da estratégia de alimentação. A primeira meta é sempre manter a amamentação com o leite da própria mãe e, em segundo lugar, com o leite doado por voluntárias.

Por conta disso, o foco é dar apoio a todas as etapas do processo do aleitamento. As mães internadas, por exemplo, recebem auxilio da equipe multiprofissional que ensina as técnicas corretas de amamentação e de ordenha por meio de simulações realísticas. As voluntárias que abastecem o BLH também têm orientação do projeto Bombeiros da Vida, que fica responsável pela coleta desse material em domicilio. Já quando o leite chega à Santa Casa ele passa por procedimentos de análise físico-químicas e sensoriais, pasteurização e congelamento para que seja estocado e disponibilizado aos bebês.

“Sempre a gente tem que trabalhar a mãe junto, a gente não vê a criança sozinha. Isso traz uma satisfação pessoal e profissional de dar o melhor início de vida para essa criança, ainda que ela não tenha nascido a termo como a gente diz, que é quando ela está abaixo do peso normal. A nutrição faz muita diferença na vida dessa criança”, ressalta Vanda Marvão sobre a importância de se observar a amamentação em seu aspecto global e seus benefícios a longo prazo.

Para reforçar esse compromisso com o tema, a Santa Casa do Pará realizará no próximo domingo, dia 28, a partir das 7h, o “Amamentaço”, na Praça da República, em Belém. O evento marca o Agosto Dourado como forma levar a mensagem difundida pela instituição em um espaço diferente do ambiente hospitalar, além buscar de atrair novas doadoras para o banco de leite. “Vai ser uma programação bem leve, com brincadeiras, vamos tirar dúvidas, fazendo rodas de conversa. A gente chama as mães que estão amamentando, a família que está apoiando essa mãe e esse bebê, as gestantes, os profissionais de saúde e toda a sociedade em geral para esse Amamentaço”, convida a nutricionista.

Como é a doação de leite?

As mulheres interessadas em serem voluntárias do BLH devem se cadastrar junto à instituição. Depois disso, podem fazer a ordenha em casa e agendar a coleta com o projeto Bombeiros da Vida pelos telefones abaixo.

Cuidados na hora da coleta:

  •  A mãe deve estar com as mãos e o peito higienizados;
  •  É recomendado manter-se em ambientes limpos e longe do contato direto com ventiladores que podem levar microrganismos para o leite;
  •  Durante a ordenha é necessário utilizar máscara para evitar que partículas de saliva ou da respiração entrem em contato com o leite;
  •  O leite deve ser acondicionado no recipiente fornecido pelo BLH, identificado conforme as orientações e prontamente armazenado no congelador,

Critérios para ser doadora:

  •  Estar saudável;
  •  Não ser portadora de doenças infecto-contagiosas;
  •  Estar amamentando o seu próprio bebê;
  •  Não consumir bebidas alcoólicas e outras drogas;
  •  Não manter uso de medicamentos que contraindiquem a doação.

Serviço:

O cadastro de doadoras e o contato com os Bombeiros da Vida pode ser feito pelos telefones: (91) 4009-2212 / 4009-0375 / 4009-2312 ou pelo whatsapp (91) 98899-6326

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