Rainha das Rainhas: conheça a história da música que virou hino do concurso
‘Papaya’ se tornou símbolo do concurso e marca o carnaval paraense há décadas
Além das fantasias, da disputa entre clubes e do espetáculo na passarela, o Rainha das Rainhas tem outro símbolo facilmente reconhecido pelos paraenses: a música-tema ‘Papaya’. A trilha sonora do concurso se tornou marca registrada do evento e, ao longo dos anos, passou a integrar o imaginário coletivo do carnaval do Pará.
👑 Na edição de 2026, marcada para o dia 7 de fevereiro, no Hangar – Centro de Convenções, em Belém, o concurso chega à sua 78ª edição mantendo um elemento que nunca mudou. Basta ouvir os primeiros acordes de “Papaya” para que o público associe imediatamente ao Rainha das Rainhas e ao mês de fevereiro.
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Como surgiu a música-tema do Rainha das Rainhas
🎶 A música “Papaya” foi criada originalmente pelo maestro e compositor italiano Pippo Caruso (1935–2018), nome conhecido da televisão italiana e responsável por trilhas sonoras e direções musicais em grandes produções, como o Festival de Sanremo.
No Brasil, a composição ganhou projeção nacional a partir da gravação feita pelo tecladista Lafayette Coelho Varges, músico conhecido por versões instrumentais de sucessos e por parcerias com nomes da Jovem Guarda, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Golden Boys e Sérgio Reis.
A voz feminina presente na gravação é de Dina Coelho Varges, viúva de Lafayette.
Quando ‘Papaya’ passou a fazer parte do concurso?
A trilha foi escolhida em 1976 pelo DJ Tarrika e pelo radialista Alberto Pinheiro, entre cinco opções, para ser utilizada inicialmente nas chamadas televisivas do Rainha das Rainhas. O sucesso da música junto ao público fez com que, anos depois, ela fosse incorporada definitivamente ao espetáculo.
Foi em 1984, com a criação da TV Liberal, afiliada da Rede Globo, que “Papaya” passou a tocar durante a entrada das candidatas no palco, no momento da avaliação dos jurados. Até então, as apresentações ocorriam sem trilha sonora fixa.
O impacto foi imediato. A partir daquele ano, a música deixou de ser apenas um recurso de divulgação e se consolidou como o hino oficial do Rainha das Rainhas.
🎵 Ouça a música:
Símbolo do Rainha das Rainhas
A sonoridade marcante e o uso contínuo ao longo das décadas fizeram com que “Papaya” se tornasse indissociável do concurso. A música passou a acompanhar todas as edições, ganhando novas versões e arranjos ao longo do tempo, mas mantendo sua identidade original.
Segundo Dina Coelho Varges, a composição não era uma música de trabalho de Lafayette à época da gravação. “Na verdade, ‘Papaya’ não era uma música de trabalho do Lafayette. Mas me surpreende saber que ela virou esse sucesso no Pará”, afirmou em entrevista concedida anos depois.
Ela também relembrou detalhes da gravação. “Na época da gravação, um dos instrumentistas acabou errando o tempo e eu tive que me adiantar em alguns trechos na hora de cantar. Naquela época, não tinham tantos recursos tecnológicos para corrigir atropelos de gravação”, contou.
Música atravessou gerações e segue presente no carnaval
Com o passar dos anos, “Papaya” ultrapassou o papel de trilha sonora e passou a representar um elemento afetivo do carnaval paraense. Ouvir a música fora do período carnavalesco ainda hoje remete automaticamente ao Rainha das Rainhas e às lembranças ligadas ao concurso.
Lafayette Coelho faleceu em 31 de março de 2021, aos 79 anos, no Rio de Janeiro. Já Pippo Caruso morreu em 28 de maio de 2018, na Itália. Mesmo após a morte de seus criadores, a música segue viva e atual no maior concurso de beleza e fantasia do Norte e Nordeste.

“Meu marido tinha um carinho enorme pelo Pará e, para nós da família, é uma honra saber que o trabalho dele continua eternizado e vem conquistando muitos fãs, tantos anos depois do lançamento de ‘Papaya’”, destacou Dina.
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