Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial brasileira pode representar um avanço estratégico para Donald Trump na América Latina. Em análise publicada pelo The New York Times, o jornal americano aponta que o Brasil é a principal peça que falta na expansão da rede de governos alinhados ao presidente dos Estados Unidos na região.
O cenário ocorre após uma sequência de vitórias eleitorais de candidatos de direita na América Latina. Segundo o jornal, sete eleições presidenciais nos últimos 18 meses terminaram com a vitória de representantes desse campo político. O Brasil, pode se tornar o próximo a seguir a tendência.
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De acordo com o jornal, Flávio é um apoiador de Trump e já manifestou interesse em aproximar o Brasil das estratégias do presidente americano. "Flávio Bolsonaro é há anos um entusiasmado apoiador de Trump, assim como seu pai foi um dos principais aliados de Trump durante seu primeiro governo. Flávio já afirmou que incluiria o Brasil na coalizão anticartéis, chamada Escudo das Américas, e trabalharia com os Estados Unidos no combate às facções criminosas brasileiras", destacou.
O jornal americano também aponta que em publicações nas redes sociais no ano passado, Flávio Bolsonaro sugeriu que veria com bons olhos uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. "Embora tenha negado isso em entrevistas recentes, afirmando que a cooperação se limitaria à área de inteligência. Foi Flávio quem pressionou Trump, com sucesso, para que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho fossem classificadas como grupos terroristas", afirmou.
A política de segurança de Trump na América Latina tem incluído a classificação de grupos criminosos como organizações terroristas e a realização de operações militares contra embarcações supostamente suspeitas de transportar drogas. Especialistas ouvidos pelo New York Times avaliam que a cooperação internacional pode contribuir para o rastreamento de recursos financeiros utilizados por organizações criminosas.
A iniciativa, porém, enfrenta questionamentos sobre sua eficácia. Os especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que os ataques do Pentágono contra embarcações praticamente não reduziram o fluxo de cocaína e ainda apontam dúvidas sobre o impacto da ação militar dos EUA para os cidadãos e a soberania da América Latina.
O jornal destaca que Trump já pressionou o governo brasileiro durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive com tarifas comerciais de 50% sobre produtos do Brasil, em uma tentativa de interferir no processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos por golpe de Estado, entre outros crimes.
"Trump, por exemplo, tentou interferir no processo criminal contra Jair Bolsonaro, que respondia a acusações por tentativa de golpe de Estado, impondo tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A iniciativa fracassou, e o ex-presidente foi condenado, mas Lula vem alertando desde então que a América Latina precisa preservar sua capacidade de governar a si própria diante da pressão de Washington", escreveu.
O NYT aponta que o candidato do PL, filho de Jair, sustenta que a principal ameaça à soberania brasileira vem das facções criminosas. "Flávio Bolsonaro, no entanto, argumenta que a ameaça à soberania não vem de Trump, mas dos cartéis. Para combatê-los no Brasil, Flávio prometeu aprender com Nayib Bukele, presidente de El Salvador cujas táticas autoritárias reduziram drasticamente os índices de criminalidade, mas também suscitaram denúncias de violações dos direitos humanos", concluiu o jornal.

