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Senadora alega insatisfação com candidatura presidencial de Caiado, deixa PSD e se filia ao PT

Para ela, o partido tomou um "novo trilho" com esse movimento, uma vez que Caiado é um nome mais à direita.

Estadão Conteúdo

Após a confirmação da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República pelo PSD, a senadora Eliziane Gama (MA) desembarcou da sigla e assinou sua ficha de filiação ao PT na manhã desta quinta-feira, 2.

Eliziane teve a ficha abonada em Salvador (BA) pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem ela quer ajudar a se reeleger na eleição de outubro. Lula está na capital baiana para visitar obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

A senadora sempre fez parte da base governista no Senado, e representa uma das pontes da esquerda com a comunidade evangélica, religião da qual faz parte.

A escolha do PSD pelo governador de Goiás como pré-candidato ao Palácio do Planalto pesou da decisão de Eliziane, uma vez que ela é apoiadora de Lula. A expectativa é que Caiado faça uma dobradinha com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para criticar o governo federal.

Para ela, o partido tomou um "novo trilho" com esse movimento, uma vez que Caiado é um nome mais à direita do que os outros dois ex-presidenciáveis da sigla: os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

"O PSD decidiu seguir um novo trilho político no País, eu respeito mas tenho um pensamento diferente, que é público no Brasil. Mesmo com todas as garantias recebidas pelo presidente Kassab, decido que meu ciclo no PSD se encerra aqui e vou percorrer novos caminhos", declarou Eliziane numa nota pública divulgada na quarta-feira.

A escolha por Caiado desagradou outros nomes do PSD. Preterido pelo presidente nacional, Gilberto Kassab, Leite publicou uma mensagem nas redes sociais em que diz ter conversado com o correligionário para cumprimentá-lo pela candidatura, mas não declarou apoio ao projeto presidencial da legenda.

Com a saída de Eliziane, a bancada do PSD diminui de 13 para 11 senadores, uma vez que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco também desembarcou da sigla. Ele se fililou ao PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin na última noite, de olho no apoio de Lula para sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.

A senadora deve marcar nos próximos dias conversas com os novos colegas de partido no Maranhão, principalmente com o vice-governador, Felipe Camarão (PT). A troca de siglas não muda o cenário para Eliziane, que mantém o apoio de Lula.

O senador Weverton Rocha (PDT), eleito com Eliziane no Maranhão em 2018, também tentará um novo mandato.

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