Lula diz que Eduardo Paes 'esqueceu' de ceder espaço para instituto federal no RJ
Ao mesmo tempo em que disse que Paes havia se esquecido da obra, Lula exaltou o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o aliado e pré-candidato ao governo do Rio Eduardo Paes (PSD) "esqueceu" de fazer um instituto federal na Cidade de Deus que havia acordado com o presidente quando ele era prefeito do Rio de Janeiro. Paes é o principal aliado de Lula no terceiro maior colégio eleitoral do País e que, nos últimos dois pleitos, se tornou um importante reduto do bolsonarismo.
Ao mesmo tempo em que disse que Paes havia se esquecido da obra, Lula exaltou o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que assumiu o cargo em março, quando o ex-prefeito se desincompatibilizou para disputar o governo do Estado. No começo do discurso, Cavaliere puxou cantos destinados ao petista junto ao público.
"Um companheiro da Cidade de Deus fotografou uma ponte que tinha uma faixa grande: 'Lula, você prometeu o instituto federal. Cadê o instituto, Lula?'. Aquilo me fez encontrar com Eduardo Paes. Ele já não era mais prefeito, ele disse: 'Puxa vida, presidente. Eu esqueci de fazer'. Aí, pegamos o nosso prefeito mais jovem (Eduardo Cavaliere) e ele já desapropriou o terreno, assinou com o ministro da Educação e, agora, vamos começar a fazer o instituto federal na Cidade de Deus", declarou Lula em agenda na cidade do Rio nesta segunda-feira, 22.
Para o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Paes disse que recebeu a fala de Lula "com alegria". O ex-prefeito ainda chamou Cavaliere de "prefeitaço" por ter resolvido a situação.
"A desapropriação não andou, mas deixei um prefeitaço no meu lugar que rapidinho resolveu o problema", afirmou Paes ao Broadcast Político.
Sobre a obra de contenção de enchentes no Jardim Maravilha, Lula disse que a autorização era de 2024, mas que apenas agora está dando a ordem de serviço para a reforma. Segundo o petista, ele achou que estava vindo inaugurar a obra.
"A autorização para fazer essa obra aqui é de 2024. Eu, quando vim aqui, eu falei: 'vou inaugurar a obra que eu autorizei em 2024'. Qual não foi a minha surpresa quando eu comecei a ler o material dentro do avião e eu descobri que eu não vim inaugurar, eu vim dar a ordem de serviço de uma coisa que eu achei que estava sendo feita há dois anos", afirmou Lula.
O presidente também reclamou da demora da burocracia para a elaboração de projetos e licitações para a realização de obras. "Eu falei para a Miriam (Belchior, ministra da Casa Civil) que nós vamos encontrar um jeito de fazer as coisas acontecerem com maior rapidez", declarou o presidente.
Após criticar a demora para a realização da obra, Lula abraçou uma moradora do Jardim Maravilha e disse que iria pedir a Deus para que as enchentes não prejudicassem a região pelos próximos três anos, prazo em que a obra será realizada.
"Vou pedir a Deus, porque essa obra vai demorar três anos, que nesses próximos três anos, não faça chover tanto. Faça chover só o necessário para molhar as plantas, lavar o telhado, mas não para fazer as pessoas sofrerem", declarou.
O presidente voltou a elogiar o governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, dizendo que o destino deu a ele o papel de moralizar a política fluminense e acabar com a corrupção local. Mais cedo, durante a cerimônia de adesão do Estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Lula disse que Couto dará um exemplo de "boa governança".
Lula anunciou nesta segunda investimentos que somam R$ 702,9 milhões em recursos federais para urbanização de favelas na capital fluminense. O evento também ficou marcado pelo início das obras do PAC Jardim Maravilha, em Guaratiba.
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