Governo Bolsonaro deve se engajar em discussões de mudanças climáticas

Pedido foi feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada às Nações Unidas

Agência Estado

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência ligada às Nações Unidas, faz um apelo para que o governo de Jair Bolsonaro se engaje em temas relacionados às mudanças climáticas. Os comentários foram feitos em Genebra em uma coletiva de imprensa, após questionamentos sobre a posição da OMM diante de recentes decisões do novo governo brasileiro.

"Estamos vendo mudanças climáticas e extremos eventos, com impacto inclusive no Brasil", disse Claire Nullis, porta-voz da entidade. "O Brasil tem um papel na comunidade de pesquisadores e esperamos que o país continue a ter um papel construtivo e ativo, como fez no passado", afirmou. 

Claire, porém, optou por não comentar especificamente a mudança na estrutura do Ministério das Relações Exteriores (também conhecido como Itamaraty), que, desde a última quinta-feira (10), estabeleceu o fim do tema de mudanças climáticas da estrutura da chancelaria. 

A pasta, comandada por Ernesto Araújo, deixa de ter a Subsecretaria-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia, que abrigava a Divisão da Mudança Climática. O órgão era responsável, entre outras coisas, pelas negociações climáticas no âmbito da ONU. No Ministério do Meio Ambiente, o tema também desapareceu da estrutura da pasta. 

A partir de agora, o assunto de mudanças climáticas estará dentro de um novo departamento, denominado Secretaria de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania. Em nota, a chancelaria explicou que "as modificações adequam o funcionamento do Itamaraty às novas prioridades da diplomacia e do serviço consular". 

Ainda no ano passado, Bolsonaro indicou que foi dele a decisão de retirar a oferta do Brasil para sediar a reunião anual da ONU sobre Mudanças Climáticas, que estava prevista para ser realizada no País. 

O chanceler Ernesto Araujo também tem criticado o "climatismo", sugerindo que isso seria um complô contra o desenvolvimento do Ocidente. "Esse dogma vem servindo para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais e suas populações, bem como para sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China", escreveu Araújo, antes de assumir o cargo. 

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