Gilmar: Tentaram arrastar STF para as eleições e acharam que ficariam impunes
O decano afirmou que Mendonça levantou o sigilo de relatório para constranger posições contrárias à sua atuação
Durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra Moraes, Gilmar afirmou que, embora já houvesse suspeitas sobre o elo do ministro com Vorcaro desde o início de março deste ano, Mendonça teria aguardado o período eleitoral para solicitar o relatório à PF, "que, muito provavelmente, implicaria exatamente quem ele buscava implicar".
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O decano disse também que, antes de levar o caso ao plenário, Mendonça levantou o sigilo do relatório, "a fim de constranger qualquer posição contrária à sua atuação".Ele também afirmou ter defendido, ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a necessidade de separar a Corte das eleições e frisou: "Contrário do que se faz aqui.E se deram muito mal, porque são aprendizes de feiticeiro. Tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iriam ficar imunes e impunes. É de uma desfaçatez de corar frade de pedra".Gilmar disse ainda que a medida se justificaria "em nome de Deus" e completou: "Como em nome de Deus já se fez muita patifaria".
Durante a fala do decano, Mendonça fez uma interferência e disse que "todos os vazamentos têm determinação de instauração de inquérito, que estão sendo conduzidos pela própria Polícia Federal".
Na sequência, Gilmar referiu-se a Mendonça e disse: "É evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando". Gilmar disse ainda, em referência a Mendonça, que houve uma conduta mafiosa. "Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência", declarou.
Gilmar continuou: "Relação de máfia. E isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas". O ministro acrescentou: "Mesmo um colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Eu já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência".
Após a fala, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou um intervalo de uma hora no julgamento devido à exibição do horário eleitoral nas televisões, o que pausaria a transmissão da sessão pela TV Justiça.
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